Contrariando o otimismo observado em inúmeras projeções no começo do ano, 2008 vem se revelando como o ano da consolidação das tensões em torno da crise do subprime sobre os mercados globais. Ainda que alguns saldos positivos tenham pontuado alguns meses, o que fica, por ora, é mesmo o domínio da volatilidade.
O desempenho instável do mercado brasileiro se mostra fortemente atrelado ao plano externo. Nesse sentido, atentar para as perspectivas referentes à performance dos principais índices de lá de fora é uma boa pedida na tentativa de se inferir o rumo da Bolsa por aqui. Mas como observou a equipe do Citi, as leituras não são nada favoráveis.
Os analistas do banco de investimentos lançaram-se às visões majoritárias dos grandes investidores institucionais norte-americanos para delinear uma leitura geral do mercado sobre o próprio mercado. O resultado de tal empreitada foi divulgado nesta segunda-feira (25) e revelou um prognóstico negativo entre as diversas projeções coletadas.
Pessimismo consensual
Uma das perguntas feitas pelo Citi foi se os investidores acreditavam na tese de que "o pior da crise financeira já ficou para trás". Mais da metade dos entrevistados trouxe uma resposta negativa, de olho na continuidade de um noticiário desfavorável, marcado por mais baixas contábeis e prejuízos de um lado e, de outro, indicadores macroeconômicos deteriorados.
Com isso, segundo o Citi, a maioria dos investidores acredita que a derrocada nos mercados de ações ainda não corresponde à total dimensão da crise, prevendo, desta forma, maiores quedas. Contudo, embora o pessimismo seja consensual, a magnitude das projeções não o são.
Dentre os investidores entrevistados pelo Citi, 70% disse prever um Standard & Poor's 500 - importante índice de ações de Wall Street - entre 1.100 pontos e 1.400 pontos ao final deste ano, o que representa um desvio de 10%, tanto para cima quanto para baixo, em relação à atual pontuação do benchmark. "Uma clara falta de consenso", nas palavras dos próprios analistas.
Resultados em queda
Entretanto, algo é dado praticamente como certo pelos investidores entrevistados: a continuidade da pressão negativa sobre os resultados corporativos ao final deste ano. Quedas nos lucros e prejuízos devem ser a tônica dos próximos desempenhos por vir, principalmente com a perspectiva crescente de iminência de um aperto monetário nos EUA.
Quanto às preferências setoriais, os segmentos de tecnologia e saúde seguem no topo das recomendações dos grandes investidores institucionais norte-americanos, ao passo que os papéis de instituições financeiras permanecem no ponto oposto, recebendo uma visão de "underperform" - desempenho abaixo da média do mercado -, reflexo claro da crença de que a crise não deve encontrar seu fim tão cedo.