O FMI (Fundo Monetário Internacional) elevou a previsão de crescimento do Brasil em 2008 para 5,2%, segundo dados divulgados nesta quarta-feira no relatório "World Economic Outlook" ("Perspectiva Econômica Mundial"). A previsão anterior do Fundo, divulgada em julho, era de um crescimento de 4,9%.
Para 2009, no entanto, a previsão do Fundo foi reduzida de 4% para 3,5%. Para a economia global, o FMI reduziu sua previsão de 4,1% para 3,9% neste ano e de 3,9% para 3% no próximo ano.
Segundo o relatório, "a desaceleração mais aguda em 2009 que a prevista na atualização dos dados em julho reflete a perspectiva global mais fraca, preços menores das commodities e condições externas de financiamento mais difíceis".
Para o Brasil, o Fundo considerou que o crescimento deve sofrer uma desaceleração como conseqüência dessa piora no cenário externo. O documento destaca um aumento nos preços nos países latino-americanos cujos bancos centrais trabalham com metas de inflação --Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru--, em alguns casos acima das metas estabelecidas. Mesmo assim, nesses países as altas foram mais contidas que o observado na região, e há sinais de estabilização e mesmo de expectativas de inflação menor em alguns deles.
"Em resposta, os bancos centrais elevaram suas taxa de juros (...) No Brasil, o aperto monetário foi apoiado por um aumento na meta de superávit fiscal primário para 2008 em meio ponto percentual do PIB", diz o relatório. O banco ainda destacou a obtenção do "investment grade" ("grau de investimento") do Brasil.
EUA
Para a economia americana, a previsão de expansão para 2008 é de 1,6%, ligeiramente acima do 1,3% calculado em julho. O relatório do Fundo destaca que a piora do crédito já tem um impacto visível na concessão de novos empréstimos e prevê que o acesso a empréstimos e financiamentos continuará sendo difícil ao longo de 2009.
"O impacto será provavelmente maior nas famílias (...), mas nas atuais condições nos mercados financeiros é provável que as empresas também sejam afetadas de forma negativa, apesar de seus sólidos balanços e de suas ainda saudáveis margens de lucro", diz o relatório.
O FMI destaca também que a queda dos preços dos imóveis de entre 5% e 17% durante o último ano, dependendo do índice usado, "não tem precedentes desde a Grande Depressão". A crise que afeta o mercado imobiliário é "uma correção necessária após um período de excessos', diz o Fundo, que insiste em que "há alguns sinais provisórios de estabilização", como os números recentes de vendas de imóveis.
Além disso, o FMI estima que o pacote de resgate do setor financeiro, de US$ 700 bilhões, aprovado pelo Congresso na Semana passada, ajudará a estabilizar os mercados, mas "um tempo considerável" irá passar antes de uma melhora.
"Será necessário um tempo considerável antes que as perdas [dos bancos] sejam plenamente conhecidas, que os bancos se recapitalizem, que a alavancagem diminua e os mercados recuperem a confiança", segundo o relatório.
Europa
Para a zona do euro, a expectativa de crescimento é de 1,3% neste ano e de 0,2% em 2009, uma redução de 0,4 ponto percentual no primeiro caso e de 1 ponto percentual no segundo. Para a França, o crescimento esperado é de 0,2%, contra 1,4% em julho.
Os três países da zona do euro que devem registrar PIB negativo no próximo ano são Espanha e Itália, ambos com contração de 0,2%, e Irlanda, com 0,6%. Dois países europeus que não usam o euro também devem ter desempenho negativo em 2009: Reino Unido (-0,1%) e Islândia (-3,1%).
Ásia
As economias de países asiáticos emergentes, incluindo China e Índia, deve ser de 7,7%, contra uma estimativa de 8,4% antes. A queda na demanda externa deve reduzir as exportações --um dos motores econômicos da região.
Os preços da energia e dos alimentos, ainda altos, devem afetar o consumo na região, apesar do alívio que pode ser proporcionado pelos subsídios, comuns entre alguns países asiáticos.
Na China, o crescimento econômico passará dos 11,9% de 2007 para 9,7% neste ano e para 9,3% no próximo. Já na Índia, o crescimento será de 6,9% em 2009, comparado com 7,9% em 2008 e aos 9,3% em 2007.
As perspectivas para o Japão também não são boas. No segundo trimestre de 2008, a economia caiu a um ritmo de 3% anualizado sobre trimestres, e o crescimento nos últimos quatro trimestres foi menor que 1%. O crescimento econômico para o Japão para 2008 e 2009, segundo o FMI, ficará abaixo de 1%.