Franquias brasileiras avançam em novos mercados

As marcas nacionais de franquias estão acelerando sua internacionalização. Nos últimos dois anos, a exportação das franquias brasileiras cresceu em número de marcas e diversidade de destinos. Atualmente, são 52 marcas com DNA brasileiro atuando em 39 países, contra 35 marcas em 2006 - uma expansão de quase 50%. Até o fim deste ano, o total de marcas deve chegar a 60, informou o jornal O Estado de São Paulo.

"O País conquistou uma posição importante no mercado mundial. Isso abre portas para quem quer levar sua marca para o exterior", diz o diretor-executivo da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Ricardo Camargo. O mercado de franquias brasileiro já é o quarto maior do mundo em número de marcas. Cresceu 15,6% em 2007, movimentando R$ 46 bilhões.

Especialistas também apontam a diminuição no custo do crédito para investimento, a abertura comercial de alguns países e o crescimento da economia dos emergentes como fatores que atraíram os empresários brasileiros de franchising.

"Ele está descobrindo novos destinos", diz a consultora Claudia Bittencourt, especialista no mercado de franquias e em expansão de marcas. Estados Unidos e Portugal, tradicionais escolhas de empresários que querem internacionalizar suas franquias, passaram a dividir as atenções com mercados em expansão como México, Angola e Emirados Árabes.

A Sapataria do Futuro, rede de serviços de reparação de calçados, decidiu que era hora de cruzar as fronteiras do País em 2006. Depois de um ciclo de expansão que fez a empresa atingir 188 unidades pelo Brasil, os empresários viram que não havia mais muito espaço para crescer internamente.

"Operando no exterior, ainda poderíamos diversificar o risco do negócio e ganhar competência", justifica Paulo Cesar Mauro, diretor-presidente da Golden Services, holding que administra a franquia.

O destino escolhido para começar a internacionalização foi o México, onde a primeira loja foi aberta em janeiro de 2007. Hoje, já são duas unidades no país. "É uma economia que cresce muito, como a brasileira, com o diferencial que não há forte concorrência no tipo de serviço que oferecemos", diz Mauro. Além do México, Angola e Colômbia receberão franquias da rede até o fim de 2008. O objetivo é que a operação internacional represente 10% do faturamento da companhia em alguns anos.

Outra empresa que optou por um mercado alternativo para iniciar a internacionalização foi a rede Green, de vestuário e acessórios infantis. Três franquias internacionais da marca foram abertas na Arábia Saudita (há uma quarta em Angola). "Tínhamos um tradicional comprador árabe que soube dos nossos planos e quis abrir uma loja lá", conta a sócia Márcia Oura Missako.

A distância e as diferenças culturais - foi preciso retirar algumas peças da coleção, a exemplo das que levavam estampas de animais sagrados para os muçulmanos, como o porco - não assustaram a empresária. Isso porque, segundo Márcia, o franqueador que assumiu a marca na Arábia tinha experiência no mercado de varejo local e uma clientela formada. "Sabíamos de sua competência."

Segundo a consultora Melitha Novoa Prado, especialista no setor de franchising, essa preocupação nem sempre é seguida pelo empreendedor que prepara sua expansão internacional. "Quando se vai para o exterior, se faz ainda mais necessário conhecer a posição do futuro parceiro no mercado local. Tudo tem de ser muito investigado." Caso contrário, em vez de crescimento, a aventura pode se transformar em prejuízo para um negócio até então saudável.


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