A gagueira é uma das doenças que tem cura se determinados exercícios forem feitos. Segundo a Associação Brasileira de Gagueira, estima-se que aproximadamente 1% das pessoas sofram com o problema. No mundo, são 60 milhões e, no Brasil, 1 milhão e seiscentos. Por isso, encontrar formas de ensinar novas técnicas para a correção desse distúrbio tornou-se fundamental para algumas organizações.
Marcia Dolores Resende, diretora e psicóloga do Instituto Saber, empresa inovadora no desenvolvimento de alta performance em recursos humanos, enfatiza que as crenças positivas funcionam como uma autorização para colocar em prática as capacidades. Já outras, podem limitar as ações. “O comportamento da gagueira (hesitações, repetições, bloqueios, tensões) é, muitas vezes, provocado por crenças limitantes, que impedem a pessoa de se expressar livremente. Achar que fala mais rápido do que pensa, acreditar que não coordena a respiração com a fala ou que tem algum problema orgânico, na maioria das vezes, não corresponde ao que realmente acontece”, explica a especialista.
Quem apresenta gagueira, geralmente, acredita que não consegue falar determinadas palavras e ao substituir por outras, altera o significado do que deseja expressar, comprometendo a comunicação. “Há quem evite palavras ou ações simples do cotidiano, como pedir coca-cola, porque a palavra não flui e a pessoa optar por trocar, contra a vontade, a bebida por outra. Mas, o que impressiona é que o cliente pronuncia coca-cola fluentemente durante a sessão. Isso acontece porque as crenças atuam como filtros perceptivos muito fortes e os acontecimentos passam a ser interpretados com base nesses paradigmas”.
As crenças, assim como a gagueira, geralmente se formam na infância. Quando crianças acredita-se naquilo que dizem, pois elas não têm como testar essas afirmações. E essas incertezas podem persistir até a vida adulta, sem serem modificadas pelas realizações posteriores.
Dessa maneira, identificar as crenças limitantes e transformá-las em crenças impulsionadoras é fundamental para que o indivíduo fale com mais fluência, espontaneidade e liberdade. A Programação Neurolingüística possui ferramentas específicas e facilitadoras para essa transformação, possibilitando à pessoa que recupere a identidade de “ser falante” e o poder sobre sua fala e forma de se expressar. Márcia ainda orienta, “as crenças influenciam profundamente o comportamento. São princípios orientadores, mapas internos que são usados para dar sentido ao mundo. Influenciam a forma como as pessoas se relacionam e se expressam e, diretamente, se refletem na fala”.
Para se ter uma idéia em estatística, os clientes do Instituto Saber dizem que a porcentagem da gagueira em suas falas são, normalmente, em mais de 80%. Ao verificar esses momentos, a maioria não passa de 10%. “Por acreditarem que a gagueira aparece quase que o tempo todo, não percebem os momentos de fluência. Nesse ponto, é importante ressaltar que, se a pessoa fala normalmente a maior parte do tempo, é porque tem as estratégias necessárias para executar tal habilidade. Isso acontece porque quando as pessoas acreditam em alguma coisa, elas agem como se isso fosse verdade”, conclui Márcia.