O Brasil vive hoje uma excelente fase econômica, apesar de o mercado apresentar perspectivas mais conservadoras para o segundo semestre de 2008. Adventos como a conquista do grau de investimento; implantação da nova legislação contábil (Lei 11.638); inflação sob controle – apesar de pressões que a leva perto do teto da meta de 6,5% ao ano; fusões e aquisições; pequena desvalorização do dólar, que afeta negativamente as exportações, porém favorece importações de máquinas e equipamentos de ponta, que permite à indústria renovar ou melhorar seu parque industrial, entre outros itens favoráveis ao crescimento do país têm criado um ambiente de constantes mudanças no país.
O resultado de qualquer mudança pode assustar e é por isso que existe o período de adaptação para que as conseqüências sejam as melhores possíveis. A da conquista do grau de investimento atribuído pelas agências classificadoras de risco Standard & Poors e Fitch, que colocou o Brasil numa posição de destaque para recebimento de investimentos estrangeiros, e também da aprovação da nova legislação contábil, que elevou as normas brasileiras à padrões internacionais, são mudanças que o mundo corporativo tem que aprender a conviver.
Em consultoria empresarial, um dos principais trabalhos é o de convencer o empresário da necessidade de reestruturação organizacional em sua empresa. Isso implica essencialmente em mudança cultural e revisão da estratégia da organização.
A capacidade em lidar com a mudança caracterizou as organizações de sucesso nos anos 80 e isso desencadeou a proposição de modelos de gestão de mudança na década seguinte.
Se só alcançaram o sucesso as organizações que realmente foram capazes de gerir a mudança no final do século passado, a Gestão da Mudança passa a ser um dos assuntos mais importantes a serem estudados e desenvolvidos em Administração nos dias atuais.
Algumas são as explicações aceitas para estes fatos: No passado, o “patrão” tinha impregnada a cultura da gestão familiar, na qual a falta de concorrentes era a grande razão pela qual sua forma de gestão mantinha-se inalterada, abstendo-se da profissionalização. Por mais que a produtividade fosse baixa em função de haver funcionários desmotivados, condições insalubres de trabalho ou altos custos, o negócio ainda assim era rentável, pois a ausência de opções levava o cliente a continuar comprando do mesmo fornecedor, nem que ele tivesse que pagar mais por isso.
Oscilações de produtividade sempre alteraram e vão continuar alterando os custos e/ ou a qualidade do produto. Entretanto, hoje a oscilação de preço e/ ou qualidade leva um cliente a experimentar a concorrência, que é fortíssima, e se ele gostar, não voltará. Isso afeta a rentabilidade da empresa, e se afeta a rentabilidade, de fato passa a ser um problema.
A compreensão das necessidades dos clientes tem se tornado mais difícil e este cenário justifica o fenômeno da Gestão da Mudança, ambiente para o qual algumas condições são necessárias. É primordial que ela se inicie no pensamento da direção da empresa. São os gestores quem iniciam todo o processo de mudança cultural da organização, aceitando e compreendendo a necessidade de sua realização.
O ambiente de mudança é fato. Vivemos em períodos de constantes oscilações. Conhecer as técnicas de gestão nesse ambiente é obrigação dos gestores de qualquer organização. Evidentemente que, para aqueles que ainda não se convenceram disso, não há fórmula mágica que os faça aceitar e compreender esse novo cenário. Por mais eloqüente e conhecedor de habilidades comportamentais que um consultor e/ou facilitador do processo seja, não há garantias de que um processo de mudança tenha êxito em uma empresa se só o gestor tem a autonomia e o poder para catalisá-lo e realizá-lo. Esse é o primeiro grande desafio para deixarmos a administração familiar e amadora do século passado para a gestão profissional e dinâmica dos tempos modernos.
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Leonardo Henrique Nardin é administrador de empresas, pós graduado em marketing e Auditor de Gestão de Riscos da BDO Trevisan de Londrina e Curitiba.