A boa gestão empresarial começa fora da empresa: envolve cadeia familiar, ambiente e sociedade. Logo, para tornar mais eficaz a gestão de uma organização, é preciso olhar, antes de tudo, para o elemento humano e o modo como ele se relaciona com o ambiente, que é um sistema dinâmico. Essas são algumas das idéias que sustentam o “pensamento sistêmico” – conceito que, atualmente, influencia a maioria dos modelos de gestão no mundo. Nesta quinta-feira (17), um dos criadores desse conceito, o médico e biólogo chileno Humberto Maturana, realizou uma palestra no 16º Seminário Internacional “Em Busca da Excelência”, realizado pela Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), em São Paulo. Acompanhado de sua equipe do Instituto Matríztico – os antropólogos Ximena Paz Dávila Yáñez e Ignácio Muñoz Cristi –, Maturana discutiu a essência do pensamento humano como fator-chave para a construção de novas realidades organizacionais. "Há diversas maneiras de as pessoas se relacionarem. Uma delas é a autoridade, em que as pessoas cumprem ordens de alguém específico, sem questionamentos. Outra é a relação autônoma, em que as pessoas executam suas atividades sem hierarquias, mas também sem se importar com as tarefas dos outros. Por fim, temos a relação de cooperação, por meio da qual ocorre a interação e a participação de todos nas atividades uns dos outros".
Maturana diz que focar nas relações humanas é essencial para que as organizações atinjam a excelência. Nos sistemas organizacionais conservadores, a relação entre as pessoas deve ser dinâmica. Esse novo modo de pensar preconiza o final de uma era – a era da liderança – e o início de outra, a era da colaboração, que os pesquisadores chamam de "pós-pós-moderna". As relações de trabalho seriam, então, estabelecidas por meio de acordos mútuos, e não de hierarquias ou do senso de cumprimento de ordens.
De acordo com Maturana, esse processo ainda é incipiente dentro das organizações. Cada uma delas precisa encontrar caminhos específicos, particulares, para chegar a esse padrão de excelência. E esses caminhos, porém, têm um fundamento comum: passam necessariamente pela construção por meio do diálogo. Ele frisa que o interesse pelo ser humano não pode ser "moda". "É preciso que as organizações vivenciem essa realidade de fato. As palavras coordenam coisas sensíveis, especificam o fazer. Elas irão conduzir a mudança dentro das redes particulares de conversação existentes em cada organização", afirma.