Inflação prejudica avaliação do governo, mas popularidade de Lula permance estável

Pesquisa divulgada hoje pela CNI mostra que o presidente Lula e o governo continuam em alta, apesar da piora nos quesitos combate à inflação e ao desemprego, entre outros. A íntegra da pesquisa pode ser acessada na página da CNI (http://www.cni.org.br).


A escalada da inflação foi o tema que mais influenciou nos resultados da rodada da pesquisa CNI/Ibope do segundo trimestre do ano, divulgada hoje em Brasília pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O temor da inflação fez piorar a avaliação da atuação do governo no campo econômico, mas não se refletiu na mesma intensidade nas avaliações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e na aprovação do governo como um todo, uma vez que elas tiveram variação dentro da margem de erro da pesquisa.

Os resultados divulgados hoje pela CNI mostram que 65% dos 2.002 entrevistados acreditam que a inflação vai aumentar nos próximos seis meses, enquanto 18% avaliam que não vai mudar e 12% acham que vai diminuir (6% não responderam). Na pesquisa anterior, divulgada em março, 51% haviam dito que a inflação iria crescer nos seis meses seguintes, ao passo que 27% tinham respondido que não iria mudar e 15% tinham dito que ia cair (6% não tinham respondido).

Essa projeção desfavorável repercutiu na opinião sobre a atuação do governo no campo econômico, avalia a pesquisa. “O estudo mostra uma sensível piora na avaliação do governo nos itens que compõem a agenda econômica. Os movimentos são consistentes no sentido da desaprovação, com queda na avaliação da atuação no combate à inflação, em relação à política de juros e na área de impostos”, diz o texto da pesquisa.

A avaliação do governo como um todo manteve na pesquisa do segundo trimestre os mesmos 58% de bom e ótimo registrados na edição anterior. O regular caiu de 30% para 29%, o ruim e péssimo subiu de 11% para 12% e 1% não respondeu. A confiança no presidente Lula também se manteve num patamar alto, em 68%. Nessa pesquisa, 29% disseram não confiar no presidente, ante 28% na rodada anterior (3% não deram resposta na presente edição). A aprovação ao governo variou de 73% no primeiro trimestre para 72% na atual rodada. A desaprovação subiu de 22% para 24% (3% não responderam). A nota média para o governo Lula caiu de 7,1% para 7%.

A avaliação do governo por áreas específicas mostra que a economia voltou a ser uma grande preocupação do brasileiro. No combate à inflação, 53% desaprovam a atuação do governo, ante 41% que aprovam e 6% que não responderam. Na rodada anterior da pesquisa, a situação era invertida: 51% aprovavam, 43% desaprovavam e 6% não haviam respondido. O saldo era de 8 pontos percentuais positivos na rodada anterior e nesta edição caiu para 12 pontos percentuais negativos.

Em relação à taxa de juros, a aprovação caiu de 39% na edição anterior para 31% na pesquisa CNI/Ibope divulgada hoje. A desaprovação, então, subiu de 53% para 61% no mesmo intervalo de comparação. Em ambas, 8% não responderam. O saldo foi de 14 pontos percentuais negativos para 30 pontos percentuais negativos.

A avaliação feita pela população no quesito combate ao desemprego também piorou. A aprovação caiu de 55% no primeiro trimestre para 52% na atual edição, enquanto que a desaprovação subiu de 41% para 45% (4% não responderam no primeiro trimestre e 3% nesta edição).

Em relação aos impostos, 35% aprovavam a atuação do governo no primeiro trimestre, ante 31% agora. A desaprovação fora apontada por 60% na penúltima pesquisa, ante 63% na rodada atual (6% não haviam respondido em março e 5% não responderam agora). O saldo negativo passou de 25 pontos percentuais para 32 pontos percentuais. O movimento, segundo o texto da pesquisa CNI/Ibope, coincide com a discussão no Congresso para a criação da Contribuição Social para a Saúda (CSS).

A pesquisa CNI/Ibope foi realizada entre os dias 20 e 23 deste mês com 2.002 eleitores de 141 municípios de todo o Brasil. A sondagem de opinião tem margem de erro de dois pontos percentuais para baixo e para cima e tem grau de confiança de 95%.



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