Inovar é o segredo para sobreviver nos negócios
02 de outubro de 2008 às 09:02
Por Regina Xeyla - Agência Sebrae
Belo Horizonte - A inovação tem sido a tônica para superar a competição. Essa afirmação foi feita pelo gerente da Unidade de Acesso a Serviços Financeiros do Sebrae, Alexandre Guerra, durante o 'VII Seminário Banco Central sobre Microfinanças'.
"As modificações estruturais do cenário econômico brasileiro, por meio de crescimento sustentado, índices de inflação comportados, aumento da competição e redução das desigualdades, têm cada vez mais requerido eficiência e foco dos agentes de mercado", afirmou Alexandre.
De acordo com o especialista, o desafio de posicionamento estratégico que se coloca para a indústria de microfinanças é: como permanentemente se diferenciar através da qualidade e adequação da prestação dos seus serviços para um segmento na base da pirâmide microempresarial, agora mais ambicionados pelo sistema financeiro nacional e mais recentemente pelo internacional?
Durante a palestra, Alexandre buscou abordar quais são algumas dessas tendências que deveriam estar sendo perseguidas pelas entidades de microfinanças no sentido de enfrentar esses novos tempos e desafios da intermediação financeira.
"O primeiro e o mais importante ponto é o acirramento da concorrência sobre os pequenos negócios. Quando falamos em distribuição de renda e expansão das classes C, D e E isso ao mesmo tempo se traduz numa atração de grandes atores, de grandes prestadores de serviços também para o atendimento desses segmentos. Antes, o que tradicionalmente era atendido apenas por pequenos negócios, hoje, está sendo atendido também por médias e grandes empresas", explicou.
Ou seja, a concorrência dos pequenos negócios já não é aquele pequeno mercado de um determinado bairro da periferia, mas sim, as grandes empresas, com toda sua estrutura e, inclusive, com suas alternativas de prestação de serviços financeiros para atuar e atender aquele segmento. O que se traduz na necessidade da união cada vez maior dos pequenos empreendimentos.
Um outro aspecto apontado por Alexandre é a questão da sofisticação e diversificação dos meios de pagamento, como o 'mabile payment', pagamento móvel via celular, que acopla a compra ao pagamento. “Cada vez mais a forma como se paga se torna tão importante quanto o bem ou serviço que está sendo adquirido. E a grande pergunta que fica para a própria indústria de microfinanças é como a tecnologia para esse segmento vem acompanhado essa evolução”, questionou Alexandre.
A regionalização de produtos com agregação de valor também é outro fator importante , seguido de maior agrupamento geográfico, ou seja, num mesmo território ter a especialização de um determinado ramo de atividade, gerando escala e opção de compra para clientes mais exigentes; além de uma maior integração entre varejo e atacado; mais orientação na prestação de serviços; informatização e novas plataformas digitais; e tercerização de serviços.
Para alcançar essas tendências será necessário superar alguns desafios, segundo afirmou Alexandre Guerra. São eles: pequenos empreendimentos devem se diferenciar, bem como a prestação de serviços que está sendo oferecido por eles; oferecer preço justo; bom atendimento; bom serviços de entrega e instalação; e conhecimento dos produtos que são comercializados.
Já com relação aos serviços financeiros, os caminhos a serem seguidos para garantir uma melhor prestação de serviços são: aumento da demanda por serviços de consultoria e assistencia técnica; aumento da procura por produtos e soluções focados na agregação de valor; e diferenciação de produtos e serviços por parte dos pequenos negócios.
Além da forte expansão da necessidade de profissionais qualificados nesse mercado, para que se tenha acesso mínimo à tecnologia; expansão do mercado para arranjos produtivos locais; e valorização crescente e o aumento da demanda por assistência técnica orientada também a redução de impactos ambientais.
Alexandre alertou também para a questão socioambiental. "Hoje no mercado financeiro é importante perguntar, para quem estamos financiando. As instituições de larga escala e que trabalham dentro do mercado fiananceiro estão fortemente preocupadas com essa questão", afirmou. Além de novos meios eletrônicos de pagamento, as garantias de segundo piso também deverão ocupar grandes rodas de discussão.
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