A inveja, um dos sete pecados capitais, é o grande vilão do bolso – e dos investimentos futuros. É o que afirma a consultora Márcia Tolotti, da Moddo Conhecimento Estratégico, de Caxias do Sul (RS). Márcia, que também é autora do livro “As armadilhas do Consumo”, da editora Campus-Elsevier, prega que as compras de itens banais como imóveis e artigos de luxo que as pessoas fazem, com o objetivo de se equipararem a outras cujo sucesso elas invejam, pode colocar o futuro financeiro de uma pessoa em risco. “Hoje 70% da população não consegue pagar suas contas”, observa. O diagnóstico é ainda mais alarmante: são questões subjetivas, ligadas à ansiedade e fraca auto-estima, por exemplo, que podem levar os consumistas exagerados ao SPC, o temido Sistema de Proteção ao Crédito. Márcia chama este tipo de endividamento de “afetivo” para se diferenciar do financeiro. “Enquanto o endividamento financeiro é causado pela má gestão de recursos, o afetivo é relacionado com sentimentos que empurram a pessoa ao consumismo exacerbado”, explica. A fórmula para espantar estes fantasmas é bem trabalhosa. Márcia afirma que é necessária uma rígida educação para o bolso – e para a mente também. Ter o hábito de ler obras sobre gestão financeira é um dos caminhos. A parte mais difícil, claro, está ligada aos sentimentos. “É nesse ponto que as pessoas precisam refletir sobre os objetivos do consumo e evitar que a culpa, a ansiedade ou a tristeza guiem as decisões de compra”, ensina. “Consumo é positivo, prazeroso e necessário, desde que seja racional”, completa.