Investidor em ações busca proteção no dólar futuro

O preço do dólar já subiu 14% em outubro, apesar das medidas do governo anticrise e das vendas maciças da moeda por parte do Banco Central. As apostas em novas altas de preço da moeda norte-americana cresceram entre os pequenos investidores. É o que demonstra a movimentação dos minicontratos de câmbio negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros. Para especialistas, o aumento da negociação se deve em parte à maior utilização dos minis de dólar como instrumento de proteção da carteira de ações.

“A maneira mais comum de proteger a carteira de ações é vender minis de Ibovespa, mas a compra de minis de dólar também funciona como um instrumento de hedge em momentos de crise”, diz o economista da corretora Intra Marcelo de Faro. Em momentos de forte aversão ao risco, teoricamente, há saída de investidores do Brasil, que levam consigo dólares e fazem a cotação da moeda subir. “A compra de minis de dólar serve para minimizar perdas no mercado de ações”, afirma..

A grande vantagem de proteger uma carteira de ações com minicontratos de dólar ao invés de minicontratos de Ibovespa é a economia. Um investidor que deseja fazer uma proteção de uma carteira de ações de R$ 20 mil, por exemplo, precisaria vender três minis de Ibovespa ao custo de margem inicial de R$ 1.800 cada. Ou seja, no total seriam gastos R$ 5.400 de margem. Para a proteção da mesma carteira com minicontratos de dólar, seriam necessários dois contratos ao custo unitário de R$ 1.992. Assim, o custo total da margem seria de R$ 3.984. Portanto, a economia seria de R$ 1.416.

No início de outubro, havia 268 minicontratos de compra de dólar em aberto, ou seja, os investidores mantinham suas apostas já que não haviam realizado uma operação oposta (venda de um minicontrato) para a zerar a posição. Em aberto, na mesma época, havia 183 minicontratos de venda. Até 27 de outubro, o número de minicontratos de compra quadruplicou e atingiu 1.267 contratos. Também cresceu o número de investidores que apostaram na queda da moeda, mas em um ritmo muito menos intenso. Na mesma data, havia 271 minis de venda de dólar.

Desde 2007, o número de transações com contratos de minis de dólar vinha diminuindo por causa da tendência de queda do preço da moeda no mercado à vista. “Estava se tornando um negócio de menor charme”, diz o economista da Win, home broker da corretora Alpes, José Góes. Com o agravamento da crise nos últimos meses, a quantidade de contratos negociados cresceu. Em setembro, por exemplo, 12.596 minicontratos foram negociados, quantia três vezes superior à registrada em julho.

Proteção de patrimônio

Para especialistas, o aumento dos negócios com minicontratos de dólar também pode ser explicado por uma procura maior de investidores que desejam proteger o patrimônio da oscilação brusca do câmbio. “Obviamente, sempre há uma parte do mercado que opera minis para especular, mas acredito que muitos investidores individuais procuram a aplicação porque têm dívidas ou porque vão viajar. Hoje conseguem comprar certa quantidade de dólar, mas não sabem quanto poderão comprar daqui a algumas semanas ou meses”, avalia Góes.

“Ao comprar um mini de dólar, proporcionalmente ao valor da carteira e dos bens que possui, o investidor consegue preservar o patrimônio em dólar”, complementa Faro. Segundo o economista, a especulação com dólar com minicontratos é inibida porque a diferença entre a taxa de câmbio de quem compra um minicontrato e a taxa de câmbio dos minis de venda é grande. “Na metade do mês oscilava em torno de 0,7%. Para se ter uma idéia, no contrato padrão de dólar, onde as negociações envolvem lotes de US$ 50 mil e atraem grandes investidores e bancos, a diferença era de 0,09%”, compara.



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A economia mundial irá se recuperar em 2009?

Completamente.
Moderadamente.
A economia não irá se recuperar em 2009.





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