Na hora em que você for tomar uma decisão gerencial ou investir no mercado de ações, é melhor que o faça com a cabeça fria: afinal, as emoções atrapalham a reflexão e podem levar a opções desastrosas. Quantas vezes você ouviu esse ensinamento? Muitas, provavelmente, até porque é um dos mandamentos do mundo dos negócios. Um estudo de pesquisadores da Universidade de Maryland e do Boston College contesta esse senso comum. Segundo a pesquisa, as pessoas que tomam decisões sob forte emoção são mais bem-sucedidas nas suas deliberações do que as que mantêm uma postura olímpica e distante.
Durante um mês, um grupo de 101 investidores participou de simulações do mercado de ações. A cada etapa, relatavam o estado emocional que vivenciavam nas suas decisões. "A popular prescrição 'ignore suas emoções para tomar a melhor decisão' está errada, de acordo com nossas conclusões", afirmam no estudo os professores Myeong-Gu e Lisa Feldman.
Estudos anteriores chegaram a destacar os efeitos positivos das emoções intensas, como o fato de ajudarem a melhorar a atenção e a memória e de favorecerem a criatividade. Uma das principais contribuições da nova pesquisa foi revelar que as emoções podem se tornar especialmente favoráveis se a pessoa que as experimenta consegue fazer uma distinção entre elas. Ou seja, os profissionais que distinguem seus sentimentos conseguem isolar os mais perniciosos. Quando identificam o surgimento de um impulso tendencioso, sem base na realidade, não deixam que influencie sua decisão. O investidor que teve o pior desempenho no experimento se gabava de ter sentimentos "neutros". Mas provou que não sabia fazer, apesar das emoções pouco intensas, uma diferenciação entre elas, o que o fazia tomar decisões mais arriscadas do que os investidores emotivos.