A aposentada Olinda Harada, 55, começou cedo a investir em Bolsa. Influenciada pela sugestão do gerente do banco, ela comprou ações do Banco do Brasil no final da década de 80. Hoje, Olinda possui ações da Vale, Petrobras e da Bolsa de Mercadorias & Futuros. Além disso, aplicou no fundo de investimento Papéis Índice Brasil Bovespa (PIBB).
A crise ainda não tirou o sono de Olinda. “As boas oportunidades acontecem durante as baixas do mercado, desde que você compre ações de empresas sólidas”, diz. “Boas empresas terão chance de se recuperar no longo prazo”, complementa. Olinda é uma, entre milhares de investidores, que nos últimos anos adquiriu conhecimento sobre a Bolsa e se aperfeiçou junto com a evolução do mercado.
Investidores com o perfil de Olinda, visão de longo prazo e aplicações constantes no mercado de ações, se assustaram com os solavancos do mercado de ações, mas não sacaram, até agora, a aplicação. “Com a crise, meus investimentos perderam mais ou menos 40%, mas, ainda tenho um bom lucro. Meu patrimônio cresceu seis vezes”, revela. “Vou esperar a Bolsa recuperar para começar a embolsar os ganhos”, planeja.
Mais investidores
A evolução dos números do home broker, serviço de compra on-line de ações, mostra que o investidor individual segue firme no mercado de ações até o momento. Entre agosto e setembro, aumentou o volume de negócios pelo sistema, de 2,3 milhões para 3,2 milhões, e o volume financeiro, de R$ 21,7 bilhões para R$ 30 bilhões.
No mês passado, os investidores colocaram mais ofertas pelo sistema. O número de ofertas cresceu mais de 20 mil, para 173 mil ordens em setembro. O total de investidores individuais passou de 456.557, em 2007, para 527.692 acionistas atualmente.
Na indústria de fundos, o movimento também foi semelhante e não houve fuga de capital dos fundos de ações. De acordo com o site Fortuna, essa categoria registra captação de R$ 3,3 bilhões no ano e de R$ 10,3 bilhões entre agosto de 2007 (mês em que começou a crise imobiliária nos EUA) e 20 de outubro deste ano.
Proteção
Além do mercado à vista, em 2008, o investidor pessoa física tornou-se mais familiarizado com outra aplicação: os minicontratos. O investimento, que ajuda o acionista a proteger a carteira contra queda de preços, registrou aumento expressivo no número de negócios: 2,1 milhões até setembro de 2008. O volume já supera a marca de 2 milhões de negócios registrados em 2007.
A maioria dos negócios é concentrada em minicontratos do Ibovespa, já que este é o principal instrumento de proteção contra a queda das ações na Bovespa para o investidor pessoa física. Em setembro, por exemplo, em que ocorreram 324,8 mil negócios, 99% foram com minis do índice.
Para fazer a operação de proteção, também conhecida como hedge, basta vender minicontratos. Nessa operação, o investidor lucra se o Ibovespa futuro tiver queda. Assim, o prejuízo da desvalorização das ações no mercado à vista será compensado pelo lucro da queda do Ibovespa futuro.