Investir na Bolsa ainda é atrativo ou há outras opções mais interessantes?

Em 1º de janeiro de 2007, poucos se arriscariam a dizer que o Ibovespa estaria em maio no patamar recorde de 52 mil pontos e com valorização próxima a 20% apenas nos cinco primeiros meses.

Isso porque o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo vinha de quatro anos consecutivos de ganhos expressivos, o que colocava em xeque sua capacidade de buscar novas máximas no curto prazo.

Colocado este cenário, surge uma pergunta natural: a atual pontuação recorde do Ibovespa seria irracional? Se sim, outros investimentos se configurariam agora como uma opção mais interessante, dada a provável correção da Bolsa para níveis "racionais".

Aplicar em dólar?
A alternativa imediata seria aplicar em dólares. Afinal, existe uma correlação histórica negativa entre a moeda norte-americana e o mercado acionário brasileiro. Ou seja, grosso modo, em momentos de queda da Bolsa, o dólar tende a subir - e vice-versa. Obviamente, isto é apenas uma tendência, havendo exceções à regra.

E investir em dólar no atual contexto consiste em uma boa estratégia ? A idéia predominante entre os analistas é de que não. Ainda que a taxa de câmbio tenha acumulado expressiva baixa ao longo dos últimos anos, o enorme fluxo de recursos ao Brasil traz o prognóstico de uma apreciação adicional da moeda nacional.

A balança comercial brasileira, por exemplo, apresenta um superávit de US$ 15 bilhões neste ano, saldo inclusive superior ao acumulado em igual período de 2006. Para todo 2007, a mediana das estimativas do relatório Focus aponta para uma diferença entre exportações e importações da ordem de US$ 41,1 bilhões.

Corroborando a análise, o fluxo via financeira também inunda o mercado doméstico de dólares. Apenas na Bovespa, o saldo de investimento estrangeiro neste ano, considerando dados disponíveis até 18 de maio, chega a R$ 1,7 bilhão.

E tem a renda fixa
Aparentemente deixada em segundo plano a aplicação em dólares, uma possibilidade que emerge é o investimento em ativos de renda fixa em detrimento às ações. Dado o ainda elevado patamar dos juros no Brasil, certamente esta alternativa ainda pode se mostrar uma estratégia interessante.

Ocorre, porém, que o País passa por uma clara redução das taxas de juros. Basta notar que, desde setembro de 2005, a Selic passou de 19,75% para 12,50% ao ano. E a expectativa é de um afrouxamento monetário adicional. A mediana das projeções do boletim Focus sugere um juro básico a 10,75% ao final de 2007 e a 10,00% no fim de 2008.

Há também os prefixados
Os investimentos em ativos pós-fixados sofreriam impacto direto da confirmação desta perspectiva de novas quedas do juro. Restariam, portanto, os prefixados. De fato, estes podem se mostrar uma opção mais atraente vis-à-vis os primeiros.

Isso porque, nestes papéis, o investidor fixa na hora da aplicação a remuneração que irá receber até a hora do resgate do título, protegendo-se de reduções adicionais nas taxas de juros.

Porém, a expectativa por novos cortes nos juros é consensual, de modo que os próprios retornos oferecidos pelos ativos prefixados já precificam, ainda que não integralmente, este cenário prospectivo.

Conclui-se portanto...
Entendida a perda de espaço das outras opções, a conclusão é de que o mercado de ações, a despeito da expressiva valorização recente, ainda se mostra atrativo na comparação com outras alternativas de investimento quando se considera um horizonte de médio e longo prazo.

É óbvio que realizações de lucro e conseqüentes correções para baixo no preço dos papéis são prováveis no curto prazo. E é trivial também que a expressiva valorização recente tira um pouco do fôlego para ganhos muito vultosos. Mas os fundamentos parecem respaldar a análise de ações ainda atrativas.

Os juros em queda, além de estimular uma migração da renda fixa para a variável, tendem a acelerar o crescimento econômico e por conseguinte os lucros corporativos. A liquidez internacional segue robusta e o cenário de pouso suave para a economia norte-americana ganha forças. Os 52 mil pontos do Ibovespa não são assim tão irracionais!




Compartilhe



Mais notícias

Leia mais notícias

Comentários


A economia mundial irá se recuperar em 2009?

Completamente.
Moderadamente.
A economia não irá se recuperar em 2009.





apoio AngradHightechADM Shop
Apresentação | Anuncie | Política de Privacidade | Contato
© 2003-2007. Administradores - O Portal da Administração.