Investment grade pode agravar "apagão de talentos"

A conquista pelo Brasil da posição de investment grade tende a acirrar a falta de executivos e de talentos com a qual alguns setores da economia já convivem. O quadro - batizado como "apagão de talentos" pela DBM, consultoria em gestão do capital humano - vale especialmente para companhias que atuam em setores de investimento, private equity, agronegócios, fusões e aquisições, além das áreas de marketing, vendas e aquelas ligadas ao consumo da classe C.

Segundo dados da consultoria, hoje os segmentos já demandam mais executivos e talentos do que efetivamente conseguem localizar e contratar no mercado local. Como resposta, algumas empresas vem trazendo de volta ao país profissionais que foram expatriados nos anos ou décadas anteriores. Outras iniciaram programas que visam acelerar a formação de talentos para o novo cenário da economia brasileira.

"A demanda por profissionais para atuar do nível de média gerência a presidente vem crescendo sistematicamente desde meados de 2006", informa Cláudio Garcia, presidente da DBM Brasil. "A conquista da posição de investment grade faz com que o crescimento da demanda tenda a ser maior ainda a partir de agora, embora muitos setores já convivam com a falta de talentos e executivos no mercado no volume necessário", completa.

Garcia destaca que poderão ser mais afetadas pela escassez de executivos empresas do mercado imobiliário e companhias atuantes nos mercados de produtos voltados às classes C e D, além de bancos e empresas relacionadas a project finance, educação e crédito.

Outro ponto identificado em estudo realizado pela DBM sobre a conquista pelo Brasil do investment grade é a possível incapacidade dos centros de ensino brasileiros de formar, na velocidade e no volume necessários, profissionais gabaritados para o novo contexto econômico.

Isso tende a gerar uma ultra-competição por talentos, aumentando as compensações oferecidas aos indivíduos que apresentem as competências essenciais para o novo momento da economia brasileira. Para fazer frente a isso, diz a consultoria, as companhias brasileiras precisam ampliar ou repensar seus programas de retenção de talentos e criar outros atrativos, além dos financeiros, que mantenham os colaboradores alinhados com a empresa.


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