Jogando xadrez

Numa infância humilde, utilizávamos um tabuleiro de jogo de damas e adaptávamos as peças a partir de componentes de outro jogo de tabuleiro, War. Assim, os dados viravam torres; os aviões, cavalos; os exércitos, peões.

Já adulto, coloquei-me a refletir sobre os benefícios daquela experiência lúdica. Esporte, para quem enxerga a dedicação e o desempenho inerentes à prática; jogo para quem atribui o resultado da partida à sorte ou ao azar; arte, diante da criatividade e estilo empregados. O fato é que o xadrez certamente é responsável por aspectos de minha personalidade e conduta profissional.

O jogo tem um objetivo muito bem definido: o “xeque-mate”. Isso nos remete à questão de se estabelecer metas – e buscar cumpri-las. Para tanto, são necessários planejamento e estratégias definidas. E, para traçá-las, criatividade e imaginação.
Uma partida exige concentração, o que nos proporciona desenvolvimento do autocontrole. E sua duração tem um tempo-limite determinado. Assim, hierarquizar tarefas e gerenciar o tempo mostram-se imprescindíveis.

Mas o melhor do xadrez está no exercício de pensar-se nos lances seguintes. Os seus e os do adversário. Grandes enxadristas conseguem vislumbrar, a cada nova rodada, toda uma partida. Isso demanda um raciocínio lógico e espacial muito abrangentes. É o estímulo para o desenvolvimento da intuição e da capacidade de antecipação, além do hábito de se visualizar o futuro. E o esforço por elevar a performance a cada lance lembra-nos a idéia do aperfeiçoamento contínuo, ou kaizen.

Não existe o jogo de duplas. Sob essa ótica, o xadrez é um exemplo perfeito da solidão do poder. A autonomia para movimentar uma ou outra peça é exclusivamente do jogador. A decisão é sua. E o resultado, vitória ou derrota, é conseqüência direta das opções feitas. Esta é a hora de administrar as emoções. Curtir o entusiasmo decorrente do sucesso, sentindo-se realizado; o prazer pela conquista, o sabor da superação. Ou tolerar o fracasso, aprendendo pacientemente com o mesmo, adotando uma postura resiliente.

Por fim, até mesmo ética aprende-se através do xadrez. Do respeito ao adversário, cumprimentando-o no início e término da partida, mantendo-se em silêncio enquanto aguarda sua jogada e não trapaceando mediante alteração das posições das peças num momento de distração do oponente, até o cumprimento da regra “peça-tocada é peça-jogada”, uma simbologia perfeita para denotar que podemos muitas vezes utilizar Ctrl-C + Ctrl-V em nossas atitudes, mas o Ctrl-Z não é admitido...

O profissional empreendedor deve, idealmente, aprender a ser um enxadrista, porque nossa vida é um grande jogo de xadrez. Estamos todos no mesmo tabuleiro e recebemos as mesmas peças. É certo que alguns são ligeiramente favorecidos pelo destino, ficando com peças brancas e iniciando o jogo. Mas, não raro, falta-lhes sabedoria para lidar com essa vantagem comparativa.

Estabelecer metas, planejar, traçar estratégias, administrar o tempo, tomar decisões, ser criativo e imaginativo, compor cenários, exigir qualidade, controlar emoções, respeitar ao próximo; essas não são apenas regras para se vencer um jogo de xadrez; não são apenas regras para se conquistar o jogo do mundo corporativo. São regras para alcançar-se com êxito a própria felicidade no jogo da vida.





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A economia mundial irá se recuperar em 2009?

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A economia não irá se recuperar em 2009.





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