A alta de juros de outubro foi provocada, principalmente, pela altas do spread bancário (diferença entre a taxa de juros captada pelo banco e a taxa do empréstimo), segundo coluna Bancos enfiam a faca de Vinicius Torres Freire na Folha de S.Paulo desta quarta-feira.
Desde que há registros disponíveis no Banco Central (junho de 2000), o aumento percentual do spread para empréstimos a empresas apenas não foi maior em agosto de 2002, quando a economia vivia o segundo ano seguido de crise e havia temor no mercado para a eleição do presidente Lula.
Segundo o colunista, em outubro, o aumento dos juros médios para empresas perde apenas para os de novembro de 2002 (pânico da vitória de Lula), julho de 2001 (alta de juros do BC devida ao apagão e à crise argentina e mundial) e janeiro de 2003 (início do governo Lula, quando a Selic vinha de alta de 11 pontos em menos de um ano).
A taxa média de juros para empresas aumentou 3,3 pontos percentuais de setembro para outubro.
Segundo dados do BC, o custo médio de captação dos bancos em tais operações cresceu meio ponto percentual. O spread, por sua vez, cresceu 2,8 pontos percentuais.
Ontem o Banco Central divulgou que o crédito bancário registrou recuperação no início de novembro, depois da queda registrada no mês de outubro por causa da crise internacional.
Essa recuperação do crédito foi acompanhada, no entanto, por uma disparada das taxas de juros, principalmente para as pessoas físicas.
Até o dia 12 deste mês, os juros para o consumidor chegaram a 59,8% ao ano. É a maior taxa desde dezembro de 2005. No mês de outubro, a mesma taxa estava em 54,8% a.a..