Para um CEO, o desafio era fazer com que a quase falência da empresa fosse o catalisador de um processo que atrairia as atenções para os serviços prestados ao consumidor, criaria novas parcerias e daria nova ênfase ao RH. Para outro, o primeiro teste de liderança passou pela demissão de todo o alto escalão de gerentes e de toda a diretoria. Para o último CEO, era preciso criar uma estratégia que se opusesse às práticas tradicionais da indústria.
Os três líderes acima — Anne Mulcahy, presidente e CEO da Xerox; Edward Breen, CEO da Tyco; e Aditya Mittal, presidente e diretor financeiro da Mittal Steel — expuseram suas idéias para os estudantes da Wharton e/ou para a Knowledge@Wharton durante visita recente ao campus da faculdade. Seu pensamento sobre gestão reflete nitidamente a jornada pessoal de cada um deles até a liderança; contudo, como sempre acontece, todos estão de acordo em relação a algumas das habilidades necessárias à gestão de uma empresa nos dias de hoje: foco constante no cliente, compromisso com a globalização, importância de descobrir e motivar o mix certo de funcionários e uma disposição, tanto do indivíduo quanto da empresa, de correr riscos.
--------------------------------------------------------------------------------
Como Anne Mulcahy salvou a Xerox
Anne Mulcahy, presidente e CEO da Xerox, considera a pressão de Wall Street para que a empresa apresente um bom desempenho no curto prazo “um problema enorme”, que pode acabar prejudicando a todos no longo prazo. “É uma das coisas mais perturbadoras hoje em dia no mercado”, disse ela, durante uma palestra sobre liderança na Wharton há algumas semanas. “Parabenizo aquelas empresas que decidiram não fazer previsões de lucros e tentam agora reformular as regras do jogo. Se eu pudesse fechar o capital da Xerox, já o teria feito ontem.”
Como a Mittal Steel superou os desafios de um mercado complexo
Há cinco anos, Adytia Mittal, então chefe de fusões e aquisições da empresa de sua família, a Mittal Steel, com sede em Roterdã, desejava adquirir uma usina de aço do governo romeno, embora a unidade amargasse prejuízos no valor de um milhão de dólares por dia. Depois de um longo e árduo período de negociações, ambas as partes finalmente chegaram a um acordo. A transação, uma das muitas feitas no decorrer dos anos, mostra como a Mittal, graças à sua decisão de se consolidar, globalizar-se e correr riscos, tornou-se uma das maiores fabricantes de aço do mundo. Adytia Mittal, hoje presidente e diretor financeiro da empresa, conversou com a Knowledge@Wharton sobre a estratégia de sua companhia e sobre seus futuros planos de expansão.
Para Edward Breen, da Tyco, liderar às vezes significa despedir toda a alta gerência e o conselho de administração
Edward D. Breen sabia que seu trabalho seria um dos mais difíceis de todo o mundo corporativo americano no momento em que aceitou a indicação para presidente e CEO da Tyco International, em julho de 2002. Afinal de contas, o ex-CEO da empresa havia renunciado e estava sob investigação por haver roubado centenas de milhões da companhia. Horas antes de Breen anunciar seu novo cargo, a CNBC informava que a Tyco poderia entrar com pedido de concordata. As ações da empresa caíram 18% naquele dia. “Eu sabia que estaria na linha de fogo”, recordou-se Breen durante recente conferência no campus por ocasião de uma Série de Palestras sobre Liderança promovida pela Wharton. “Nunca se sabe exatamente a gravidade do que nos espera até a hora em que pomos de fato a mão na massa.”