Agnes Gonxha Bojaxhiu nasceu em 1910, na República da Macedônia, e decidiu ir para a Índia em 1931. Lá, ela se tornou oficialmente a mulher que, anos mais tarde, seria conhecida como a protetora dos pobres: Madre Teresa de Calcutá. Foi naquele país que também nasceu Mohandas Karamchand Gandhi, conhecido popularmente por Mahatma Gandhi, um dos idealizadores e fundadores do moderno Estado indiano e defensor da vivência baseada no princípio da não-agressão como forma de promover mudanças.
O que ambos têm em comum, além do fato de terem dado início a grandes projetos de mudança social no país asiático, é a ligação com a espiritualidade e com um estilo de liderança que influencia até hoje a forma de pensar de diversos povos – e de empresas. Aliás, grandes líderes estão espalhados por igrejas ao redor do mundo e é de lá que as organizações estão tirando lições para a prática cotidiana do comando de equipes.
Em voga já há algumas décadas, se populariza a cada dia o princípio da liderança servidora, forma de conduzir grupos, baseada na idéia de que se deve fazer ao próximo o que se gostaria que fosse feito a si próprio. O professor de filosofia do trabalho da PUC-SP, Antonio Marchionni, cita uma famosa frase atribuída a Jesus Cristo, extraída do Evangelho de Mateus (20-28) que se encaixa no tema: “o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir”.
O que acontece, segundo o professor da PUC, é que, desde a década de 60, com os movimentos revolucionários estudantis que começaram na Europa, a figura do líder começou a ser questionada. Antes, a chefia era permeada por questões como hereditariedade e poder econômico. Depois dessa época, o líder é respeitado quando ele merece ser líder, ou seja, a autoridade é uma questão de referência moral e de princípios éticos. “A religião ensina justamente o principal dogma da liderança servidora, que é o ato de se colocar a serviço do outro para liderar”. Uma curiosidade é que o papa é denominado como “servo dos servos de Deus”.