O registro policial dos roubos dos equipamentos da Petrobras revela que a lista de material levado por ladrões é maior do que a divulgada pela Polícia Federal até agora.
Mais três funcionários da Petrobras foram ouvidos nesta quarta-feira (20) pela polícia federal. Ao todo, 24 pessoas devem ser interrogadas até a semana que vem.
O depoimento mais importante ainda é o do funcionário da Halliburton, que foi o primeiro a descobrir o arrombamento do contêiner. O “Jornal Nacional” teve acesso com exclusividade ao registro policial.
Cadeado trocado
O técnico em manutenção Guilherme da Silva Vieira diz que "quando foi conferir a carga notou que o lacre estava violado e o cadeado, trocado". Ele relata o roubo de "quatro laptops, dois discos rígidos - que armazenam informações - e dois pentes de memória”.
E mais: a lista do material roubado é maior do que a divulgada pela polícia até agora. O funcionário revela que foram levados também um outro computador e dois equipamentos que não interessariam num caso de espionagem industrial: uma impressora e um gravador de DVD.
Ontem, o superintendente da Polícia Federal no Rio, Valdinho Jacinto Caetano, disse que só os equipamentos com informações tinham sido levados. “Havia basicamente material de escritório e alguns laptops e se privilegiou o roubo desses o que nos leva a crer descartar a hipótese de roubo comum”, afirmou.
O “Jornal Nacional” conseguiu conversar por telefone com o funcionário que registrou o roubo, mas ele não quis esclarecer as contradições entre o que está escrito e as declarações da Polícia Federal.
“Olha amigo, eu não estou autorizado a dar nenhum tipo de informação a respeito disso. Eu não posso nem estar te atendendo”, disse.
Campo de Júpiter
Em Macaé, a delegada que comanda as investigações disse que os equipamentos roubados estavam sendo usados na Bacia de Santos, no recém descoberto campo gigante de Júpiter, que pode levar à auto-suficiência do Brasil em gás natural.
O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, voltou a dizer que os dados que estavam nos computadores roubados já tinham sido transmitidos para a empresa. Para ele, ainda não há certeza de que se trata de um caso de espionagem.
“É uma hipótese, o furto comum é outra hipótese. Mas eu não vou avançar porque isso esta no âmbito dos órgãos de investigação, não está no âmbito da Petrobras”, disse.
A assessoria de imprensa da polícia federal informou que o superintendente Valdinho Jacinto Caetano também não descartou totalmente a hipótese de roubo comum