Longevidade e novos mercados
08 de novembro de 2007 ās 15:30
O mercado está preparado para a nova demanda proveniente de um público consumidor mais envelhecido? Foi essa a questão que esteve implícita na conferência de Joseph Coughlin, realizada na quarta-feira (07/11), na ExpoManagement. Diretor e fundador do Laboratório de Estudos do Envelhecimento do prestigiado Massachusetts Institute of Tecnology (MIT AgeLab), o conferencista apresentou aos presentes a necessidade de reavaliar o foco das empresas para corresponder aos anseios e necessidades dos chamados baby boomers.
Nascidos após a segunda guerra mundial, quando ocorreu uma grande expansão demográfica mundial, eles estão agora ultrapassando a barreira dos 40 e 50 anos, constituindo aos poucos um grande contingente de novos idosos.
Coughlin incentivou os executivos na platéia a investirem nesse tipo de público, de modo a conquistarem um novo consumidor, que aos poucos irá se tornar um dos alicerces do mercado.
Paradoxo da longevidade - Para Coughlin, não apenas essa nova velha geração possui características bastante diversas das que a antecederam, como está ultrapassando a faixa dos 40 anos em maior número, ao menos nos EUA. Segundo ele, trata-se de pessoas que viveram um período em que todos os conceitos passaram por verdadeira revolução.
"Antes, uma pessoa era considerada velha aos 30; hoje, aos 60, com perspectiva de chegar aos 80, 90 anos, com saúde", disse. Pelas suas projeções, em 2025, 1/5 da população das Américas terá mais de 60 anos e, na Europa, 1/3. "A Alemanha, por exemplo, deverá ter uma população com mais de 80 milhões de pessoas, das quais 50 milhões com mais de 50 anos; na China, hoje são 140 milhões e serão 400 milhões com mais de 60 anos em 2050", anunciou.
Para ele, o momento de conquistar esse novo consumidor é agora. "Nós temos de empolgar e conquistar esse cliente, que é mais velho, tem mais experiência, e representa um mercado muito diferente", disse.
Algumas organizações já enxergaram a mudança do perfil do mercado e estão se preparando para isso, segundo ele. "As empresas estão se voltando para atender as expectativas dessa faixa etária, que tende a ter maior poder aquisitivo (se comparada aos jovens), ser mais seletiva, menos fiel a fornecedores e marcas", apontou. Coughlin chamou a atenção para a GAP, uma marca de jeans, que lançou o slogan de que seus produtos são para "todas as gerações", ou a Nissan, que sabe que seus carros top de linha, de luxo, serão adquiridos por quem tem mais de 60 anos.
Joseph Coughlin salientou, entretanto que a vantagem estratégica das empresas pode não estar exclusivamente no produto, mas na forma de atendimento. "Será que esse cliente desejará fazer seus pedidos por meio do call center?", provocou.
Mulheres no comando - Um outro dado relevante refere-se ao gênero desses idosos, pois, segundo o palestrante, serão as mulheres que dominarão a economia nesse novo período, não apenas por terem maior longevidade. Hoje são mais informadas, têm poder aquisitivo elevado e estão habituadas à tecnologia. Além disso, geralmente cabe às mulheres a tarefa de cuidar de familiares, sejam filhos, netos ou pais.
Saúde, tecnologia e inovações – Segundo o conferencista, entre os 40 e 45 anos usualmente começam a aparecer as doenças crônicas, causadas por maus hábitos. Assim, com a maior longevidade da população, os custos com a saúde serão maiores. "Atualmente, cerca de 110 milhões de indivíduos nos EUA sofrem com esse tipo de doenças", informou.
Coughlin destacou que chegou ao mercado uma infinidade de produtos e serviços voltados a esse público, como camisas inteligentes que medem a pressão; colher que mede o percentual de gordura e açúcar no alimento que está sendo ingerido; no supermercado, o uso de código de barras para acionar mensagens sobre os ingredientes de determinados produtos, dentre outros.
Preferências - Outro elemento lembrado pelo conferencista foi a preferência desse público por adquirir mercadorias e serviços num mesmo local. Diante disso, Coughlin citou que atualmente existem médicos contratados por mercearias e mercados nos EUA, que fazem atendimento rápido de idosos, medindo a pressão, verificando nível de glicose ou tratando de um mal corriqueiro, como dor de garganta etc.
O lazer foi considerado por ele como outro segmento a ser considerado pelas empresas no desenvolvimento de inovações. O conferencista referiu-se à gama de negócios que podem ser gerados com o uso de utensílios eletrônicos domésticos, como a TV que se comunica por cabo com hospitais, transferindo dados coletados em casa, ou conectada com supermercados e farmácias.
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