Aplicar em um fundo formado completamente por ativos no exterior é uma realidade recente no mercado de capitais brasileiro. Mas a maior demanda por este investimento já vem sendo observada por gestores. Um avanço importante para diversificação dos riscos na gestão de grandes fortunas.
Segundo o sócio da JGP e ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, Rodrigo Azevedo, há um número limitado de ativos no Brasil que tenha liquidez diária elevada, o que direciona a concentração de fundos grandes - que movimentam R$ 10 bilhões, por exemplo - em títulos públicos, câmbio, DI, índice futuro de bolsa ou ações de blue chips.
"Os fundos grandes tendem a ficar com um patrimônimo parecido. Agora, é possível colocar parte do fundo em Treasuries norte-americanos ou em ações do Citi, que possuem liquidez muito mais profunda. Isso permite uma correlação menor entre os fundos no Brasil", afirma Azevedo.
Com a Instrução nº 465 da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), aprovada em fevereiro deste ano, aperfeiçoando a nº 456 de julho de 2007, é permitido a fundos dedicados a investidores qualificados e que tenham um investimento mínimo de até R$ 1 milhão alocarem 100% dos recursos em ativos no exterior.
Pequeno investidor
Vale destacar que já era liberado ter até 10% do Patrimônio Líquido investido no exterior; e até 20% para fundos multimercados. A nova modalidade de aplicação também beneficia o pequeno investidor, que agora tem a oportunidade de aplicar no exterior sendo regulado pela CVM.
"Eu posso enviar recursos e comprar ativos no exterior. Só que se eu tiver qualquer tipo de problema eu não consigo reclamar para a CVM. Se, ao invés disso, eu compro cotas no Brasil de um fundo que tem exatamente estes mesmo ativos lá fora, esse fundo é regulado pela autarquia", destaca o ex-diretor do BC.
Azevedo projeta um crescimento gradual do mercado, sobretudo em razão de alguns entraves de especialização. Em sua estimativa, o potencial de ocupação do PL dos multimercados (cerca de R$ 250 bilhões) com esta categoria de investimento é de R$ 28 bilhões. "Em um primeiro momento, projeto uma demanda de até R$ 11 bilhões por ativos no exterior em multimercados, em 12 meses".
Obstáculo cultural
O empecilho de especialização citado pelo sócio da JGP é cultural. Para ele, como no Brasil, durante muito tempo, havia a proibição de investir lá fora, a maior parte dos gestores e investidores se desenvolveu no escopo do mercado local. "Ainda não há um conhecimento sobre ativos, instrumentos, acompanhamento de conjuntura ou de técnicas contábeis de outros países", considera.