Mantega diz que está havendo exagero sobre crescimento da inflação
02 de julho de 2008 às 13:34
Por Alexandro Martello - G1-Economia e Negócios
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta quarta-feira (3), durante audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, que a inflação preocupa o governo, mas que medidas já foram tomadas para controlar o seu crescimento, e negou que haja razões para "alarmismo" ou "exageros" sobre sua subida dos preços.
"Está havendo um certo exagero e alarmismo fora de propósito ao avaliar a inflação brasileira. Não há razões para alarmismo. Já foram tomadas medidas contra a inflação, que estão surtindo efeito. As vezes vejo no noticiário um certo exagero. Desse jeito, as pessoas vão acabar fazendo estoque de produtos. Não é o caso de fazer estoques. Não dá para subestimar o problemas, mas também não é para superestimá-los", disse Mantega, explicando que os preços podem recuar no futuro.
O ministro da Fazenda disse ainda que a figura do "dragão da inflação" também é exagerada. "É exagerado falarmos em dragão da inflação. Dragão parece um monstro perigoso que vai nos devorar. Ainda não estamos nesse ponto. O governo se preocupa, mas [a inflação] não chega a ser um monstro perigoso que pode causar maiores danos", disse ele.
Inflação no Brasil
O ministro da Fazenda voltou a avaliar que a inflação brasileira resulta de choques externos, como o aumento dos preços das 'commodities' (alimentos, aço e petróleo) e que, mesmo assim, está abaixo da média da inflação mundial. Segundo ele, apenas Brasil e Canadá, entre várias economias, estão cumprindo as metas de inflação neste ano. "Na equação da inflação mundial, o Brasil está bem situado. [A inflação] subiu aqui também, mas menos do que em outros países", disse Mantega.
O ministro da Fazenda notou que está havendo, neste ano, uma propagação dos aumentos de preços na economia, mas que a inflação deverá ser menor nos próximos anos. "Teremos aumento da inflação nos próximos meses por conta do efeito de propagação. A inflação começa no atacado e vai para o varejo", disse ele. Citou, porém, estimativas do mercado financeiro de que a inflação, cuja projeção está em 6,3% para 2008, deve cair para 4,8% em 2009 e 4,5% em 2010 - em linha com a meta central de inflação.
Demanda interna e crédito
Mantega admitiu que há um aumento da demanda interna, que é a principal justificativa do BC para aumentar os juros básicos da economia neste ano, mas acrescentou que a inflação sobe, basicamente, por conta de alimentos e bebidas no Brasil, além de petróleo e aço. "Alimentos e bebidas subiram 14% nos últimos doze meses. Esse é o principal vetor da inflação no Brasil', disse ele.
O ministro afirmou, entretanto, que está havendo uma desaceleração da demanda e, também, no crédito, que, em sua avaliação, estava comuma "margem expressiva" de aumento - mais de 32% em doze meses. "Está havendo uma pequena desaceleração no crédito, o que é desejável. O crédito tem que continuar crescendo, mas à uma taxa menor, abaixo de 30% ao ano", disse ele. Mantega avaliou que o crédito já está crescendo menos por conta do aumento do IOF anunciado no início de 2008.
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