Marcas & Mitos

Por que os mitos viram mitos? E por que as marcas também sofrem esse fenômeno de mitificação? Este é um assunto no mínimo polêmico e que vai dar pano pra manga. Mas vamos lá.
Segundo a obra de Mary Gordon, Joana começa a ouvir vozes a partir dos seus 12 anos acreditando serem vozes sagradas. No filme The Messenger: The Story of Joan of Arc de Luc Besson (1999) a protagonista não apenas ouve vozes como também “conversa” com uma imagem personificada de Deus em sua mente.
Essas vozes e imagens seriam símbolos de salvação para seu povo por terem unido a nação em um momento crítico e deu um rumo decisivo à Guerra dos Cem Anos em favor da França, Joana convenceu Carlos VII de que tinha a missão divina de salvar a França, desse modo, ela foi posta à frente de tropas, com as quais conduziu o exército francês a uma vitória decisiva sobre os ingleses em Orléans. O entusiasmo dos combatentes franceses, fortalecido pela estranha figura da aldeã-soldado, fez com que os ingleses levantassem o sítio da cidade. No ano 1430, dirigiu uma operação militar contra os ingleses em Compiègne, perto de Paris, onde foi capturada e levada perante um tribunal eclesiástico, em Rouen, que a julgou por heresia e bruxaria; em 30 de maio de 1431, ela foi enviada à fogueira na praça do Mercado Velho. Vinte e cinco anos depois de sua morte, a Igreja revisou seu caso e a declarou inocente. Foi canonizada em 1920 pelo papa Benedito XV.
A Mitologia trata do estudo e interpretação do mito, bem como o conjunto dos mitos de uma determinada cultura. O mito é um fenômeno cultural complexo que pode ser encarado de vários pontos de vista. Em geral é uma narração que descreve e retrata em linguagem simbólica a origem dos elementos e postulados básicos de uma cultura.
Há muitos milênios os mitos organizam o mundo e ajudam-nos a compreendê-lo. Na tarde de 1º de maio de 1994, após bater a 300km/h contra um muro de proteção da curva de Tamburello na sétima volta do Grande Prêmio de Ímola, Ayrton Senna passou da imagem de piloto vencedor, determinado, bom moço e simpático, para ídolo, herói nacional. Nascia o mito brasileiro, Ayrton Senna.
Assim como Senna, para os brasileiros, Joana D’Arc transformou-se num arquétipo para os franceses. Sua morte prematura (segundo a lenda) ensinou essa civilização a lidar com as perdas irreparáveis num contexto bélico. Os mitos apresentam-nos padrões de comportamento que podem, e devem ser imitados em determinadas situações.
O nome Joana vem do hebraico (y-hohhnAn), que significa, Deus é gracioso. Logo é possível perceber que esse mito não só refletiu os sentimentos do povo francês na época da Guerra dos Cem Anos, como também transmitiu, através da simbologia de seu nome, esses sentimentos.
Sobre a tendência do povo francês de misturar assuntos religiosos e civis levantei a hipótese da inexistência da pessoa de Joana D’Arc, entretanto é impossível negar que os franceses herdaram seu nacionalismo inflamado e toda sua disposição de lutar até a morte pela liberdade.
Esses sentimentos legados por personagens míticos também estão presentes no cotidiano das pessoas (leia-se âmbito profissional, lazer), porém muito mais apegados a valores oníricos do que propriamente sócio-culturais. E aqui me oponho às generalizações sobre lado efêmero das marcas devido ao potencial de interação marca-consumidor que algumas delas ainda preservam.
Em seu artigo “Marcas com alma vendem mais”, João Satt F. diretor da Competence conta que existem três eixos de interação da marca com o consumidor:
O Institucional: o que nos faz semelhante com você, padrão de identidade;
O Promocional: por que nossas ofertas são imperdíveis;
O Relacional: o que a gente mais gosta é estar próximo a você.
Cada um desses eixos tem um papel imprescindível no que tange a atração e fidelização do consumidor com a marca. Poderia citar aqui algumas marcas antigas como Nike, Coca-Cola, Ferrari, as quais continuam vivas e brilhantes na mente de seus consumidores não só por manterem-se sempre apoiadas a esses três eixos como conseqüentemente ainda continuarem influenciando muito esses consumidores.
Joana D’Arc e Ayrton Senna são marcas que refletem o comportamento nacionalista de franceses e brasileiros. Acredito que ainda vão permanecer sobre a cultura desses povos por muitos anos. Hoje, a Nike, por exemplo, faz parte da cultura de quem vive Nike. Aqueles que se identificam com a marca é porque provavelmente se assemelham com ela de alguma forma, porque ela tem um grau de diferenciação das outras marcas que não passa batido (obviamente) na percepção desse público-alvo, e porque lhes passa a sensação de proximidade.
É por isso que a Nike, a Coca-Cola, a Ferrari, a Joana D’Arc e muitas outras marcas que já fazem parte da cultura das pessoas não podem mais serem consideradas meras marcas. Pode-se dizer que são mitos, pois transcenderam o status de símbolos semióticos tornando-se fortes entidades cultuadas.

Bibliografia
Satt F, João – art.“Marcas com alma vendem mais.”
Mary Gordon – Joana D’Arc

Filmografia
The Messenger: The Story of Joan of Arc de Luc Besson (1999)





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A economia mundial irá se recuperar em 2009?

Completamente.
Moderadamente.
A economia não irá se recuperar em 2009.





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