Novamente, a Câmara dos Deputados será palco de discussão sobre tarifas bancárias. Assim como ocorreu em maio, será realizada no próximo dia 20 uma audiência pública sobre o tema, na Comissão de Defesa do Consumidor.
No último encontro, o convidado especial - e faltoso - foi o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Dessa vez, os parlamentares contam com a presença do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que também já havia sido convidado para participar de debates do tipo.
Ganhos e diferença
A reunião do mês passado foi feita para comentar os altos ganhos das instituições com esse tipo de cobrança. Pesquisa realizada pela Austing Rating mostrou que a receita com tarifas bancárias cresceu quase oito vezes desde o Plano Real e dobrou no governo Lula, atingindo R$ 52,8 bilhões em dezembro do ano passado.
O motivador da segunda, conforme o deputado Vinicius Carvalho (PtdoB-RJ), autor do pedido, é comentar pesquisa da Fundação Procon de São Paulo, na qual são mostradas que as tarifas bancárias chegam a variar quase 260%, de acordo com a instituição.
No bolso
É importante lembrar que dados compilados pela Infomoney mostraram que, desde 2005, a taxa básica de juro da economia, a Selic, já foi reduzida em 7,25 pontos percentuais. Quando em setembro daquele ano foi iniciada uma tendência de corte, o total anualizado era de 19,75% - proporção que está, atualmente, em 12,5%.
Estudo do Procon, por sua vez, mostra que a média de juro do empréstimo pessoal cobrado pelas instituições bancárias fechou 2005 em 5,39% ao mês, enquanto o de cheque especial foi de 8,25% mensais, em média.
Já conforme seu último levantamento, que analisou os preços empregados em maio de 2007, as médias foram de respectivamente, 5,37% e 8,29% - praticamente uma estabilidade.
Reclamações
De acordo com o Banco Central, de janeiro a abril deste ano, foram feitas 17.884 denúncias por parte dos clientes bancários. Esses problemas apontados, indicou a assessoria de imprensa da entidade, têm indício de descumprimento de normas.
Além disso, o BC explica que, até o quarto mês do ano, foram feitas 2.017 reclamações. Essas ocorrências não possuem fundamento, o que as enquadra em um grupo de expressões de descontentamento.