Mercado e o profissional precisam de boas escolas

O primeiro Mapa de Estudos Superiores na América Latina e no Caribe (Mesalc), elaborado pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), revela que somente 13,8% das escolas de terceiro grau, dentre as mais de nove mil instituições do gênero existentes na região, têm avaliação positiva quanto à qualidade. O índice é preocupante para as nações do Continente, considerando que a formação acadêmica constitui-se em requisito fundamental à conquista do desenvolvimento. Sob o ponto de vista das carreiras profissionais, o estudo também significa importante alerta: é essencial buscar escolas gabaritadas, pois diplomas e títulos universitários são diferenciais efetivos na luta pelo sucesso somente se forem a garantia e o “selo” de um ensino de excelência.

A seriedade, credibilidade e competência da Unesco sugerem ser prudente considerar o conteúdo desse inédito relatório, produzido sobre substantiva base de dados e estatísticas de 28 dos 33 países membros da organização na América Latina e Caribe. O trabalho evidencia a necessidade de ampliar não só o acesso, mas também a qualidade da educação superior.

Cruzando suas conclusões com outros estudos e processos de avaliação realizados no Brasil, como o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), percebe-se que, em nosso País, o principal problema reside na questão da excelência, levando-se em conta a grande expansão do número de faculdades nos últimos anos.

O Brasil tem excelentes instituições de ensino superior, mas em quantidade insuficiente para atender à demanda do mercado por profissionais altamente qualificados. Assim, é importante a ampliação do número de boas escolas, em nível de graduação, pós-graduação e cursos de MBA. Trata-se de algo importante para o País, o universo corporativo e os profissionais. Sob o ponto de vista do mercado, empresas inteligentes são as que recrutam colaboradores devidamente preparados. Afinal, contar com um quadro de profissionais competentes é imperioso; é o requisito que mais valor agrega às empresas, considerando que o talento humano é o fator exponencial de desequilíbrio num cenário em que todos têm acesso a tecnologias semelhantes.

No início do Século XX, o genial norte-americano Henry Ford, grande propulsor da indústria moderna, cunhou frase antológica sobre o significado da boa formação: "Se o dinheiro é a sua esperança para independência, você nunca a terá; a única segurança real que um homem pode ter neste mundo é uma reserva de conhecimento". Se tal exigência já era decisiva num mundo que ainda procurava soluções para a simples produção em série de automóveis e outros bens industriais, o que dizer do presente, quando as tecnologias tornam informação, cultura e saber os mais importantes valores de qualquer organização?

A resposta a esse desafio contemporâneo pode ser encontrada numa velha aliada dos indivíduos e povos vencedores: a sala de aula! É aí que experiência, conhecimento do mercado, conteúdo adequado e bons professores mudam o destino de pessoas, empresas e países.

Antoninho Marmo Trevisan é presidente do Conselho da BDO Trevisan; presidente da Trevisan Consultoria e Outsourcing; diretor da Trevisan Escola de Negócios; e Membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).



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