Mercado espera que BC suba taxa de juros para 13,75%

Embora os últimos índices de inflação tenham surpreendido para menos, o mercado financeiro mantém a "aposta" de que o Banco Central vai ajustar a taxa básica de juros do país (Selic) de 13% para 13,75% na reunião desta semana. E esse ajuste não deve parar neste mês, mas prosseguir até dezembro, quando a autoridade monetária deve estancar o ciclo de alta da Selic.

Tudo porque é consenso entre os economistas de bancos e corretoras de que o alvo do BC não é a inflação deste ano, mas do próximo. E as expectativas para 2009 estão há cerca de um mês firmemente apontando para um IPCA de 5% (acima do centro da meta, de 4,5%). O IPCA é o índice oficial de preços utilizado para o regime de metas do governo.

"Apesar de ter havido melhora nos últimos dados de inflação, principalmente em função da queda nos preços das matérias-primas, ainda há muitas incertezas para o cenário de inflação em 2009", avalia o economista da corretora Concórdia, Elson Teles.

Analistas também esperam que o BC não "afrouxe" o discurso anti-inflação, vazado tanto pelo comunicado pós-reunião quanto pela ata do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada na semana seguinte. Esses documentos são utilizados pelo banco para atuar sobre as expectativas dos agentes financeiros.

"O Banco Central irá manter um discurso duro, em busca de ancorar as expectativas de inflação, e sem grandes surpresas, deverá haver ainda mais três aumentos de juros, que devem encerrar o ciclo ainda esse ano levando a Selic a 14,75%", espera a equipe de análise econômica da corretora Ativa.

A Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito) é uma das poucas vozes do mercado financeiro a apostar num ajuste da taxa Selic menor que 0,75 ponto percentual. Para o economista-chefe da instituição, Istvan Kasznar, o juro básico será elevado para 13,50%.

"Apesar de a projeção indicar um IPCA acima dos 4,5%, que é o centro da meta, pelo menos dos 6,5%, que é o teto, não vamos passar. E a tendência clara é que em 2009 a inflação convirja cada vez mais para os 4,5%", afirmou.


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