Mercado não prevê mais aumento de juros neste ano

Depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central ter optado pela interrupção do processo de aumento dos juros básicos da economia na última semana, com a manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano, o mercado financeiro deixou de prever novas elevações em 2008, informou o próprio BC nesta segunda-feira (3) por meio do relatório de mercado, que é fruto de pesquisa com instituições financeiras.

Na semana retrasada, o mercado financeiro ainda previa duas elevações de juros neste ano: uma em outubro (que não aconteceu) e a outra em dezembro, com a Selic fechando este ano em 14,25% ao ano. Na última semana, quando se reuniu o Copom, a maior parte do mercado, porém, já havia "virado" com relação à estimativa para os juros no Copom de outubro - pois já previa manunteção da taxa Selic, como aconteceu.

O relatório de mercado divulgado pelo BC nesta segunda-feira (3) mostra que os economistas ouvidos ainda apostam, entretanto, em subida dos juros no próximo ano. Em janeiro, segundo os dados coletados pelo BC, o mercado acredita em uma elevação pequena da taxa Selic: para 13,88% ao ano. Em março, projetam um novo aumento, agora para 14,25% ao ano. Pelo cenário traçado pelos economistas, os juros só voltariam a cair em abril de 2009, quando recuariam para 14% ao ano. Em julho, cairiam para 13,75% ao ano e, em dezembro do ano que vem, para 13,38% ao ano.

Inflação

O objetivo primordial do Banco Central, ao definir os juros básicos da economia brasileira, é o controle da inflação. Pelo sistema de metas de inflação, que vigora no Brasil, a instituição é responsável por calibrar a taxa de juros para que as metas pré-determinadas sejam atingidas. Para este ano e para 2009, a meta central, tendo o IPCA como referência, é de 4,50%.

No sistema, todavia, há um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo em relação à meta central. Deste modo, a inflação pode oscilar entre 2,50% e 6,50% sem que a meta seja formalmente descumprida em 2008 e em 2009.

O BC já informou anteriormente que busca trazer a inflação para a meta central já em 2009. Na última semana, a previsão do mercado para o IPCA de 2008 avançou de 6,29% para 6,31%. Para o ano que vem, subiu de 5% para 5,06%. O BC já está ajustando os juros, neste momento, com olho no cenário para o próximo anoe há vários fatores que podem impactar a inflação (crescimento econômico menor e crédito menos aquecido favorecem a queda, enquanto a subida do dólar contribui para um aumento).

Crescimento

No caso do crescimento da economia brasileira, a previsão do mercado financeiro para este ano permaneceu estável em 5,23%. Para 2009, porém, a estimativa do mercado recuou de novo. Esta foi a terceira semana consecutiva de redução na estimativa - o que é resultado da crise financeira internacional. A projeção de crescimento para o próximo ano caiu de 3,10% para 3%. Durante a maior parte deste ano, ficou em 3,50%.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem dito que a economia crescerá de 4% a 4,5% no próximo ano. Oficialmente, a previsão do governo, contida na proposta de orçamento para 2009, é de que o PIB avance 4,5% no ano que vem. Já foi revisada uma vez, pois, antes, estava em 5%. Entretanto, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, já admitiu que o crescimento de 2009 deve ficar abaixo de 4%.

Dólar

A projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio é de que ela termine este ano em R$ 2, ou seja, acima da projeção da semana anterior (R$ 1,95 por dólar). Essa é a quinta semana consecutiva de aumento desta previsão e acontece em meio à disparada do dólar por conta da crise financeira internacional - que é reflexo da retirada de recursos do país por investidores estrangeiros. Para o fim de 2009, a estimativa dos analistas para a taxa de câmbio também subiu, passando de R$ 1,90 para R$ 2 por dólar.

Balança comercial e investimentos diretos

A projeção do mercado financeiro para o saldo da balança comercial (exportações menos importações) de 2008 ficou estável em US$ 24 bilhões na última semana. No início deste ano, os analistas ouvidos pelo Banco Central projetavam superávit de US$ 31,9 bilhões para a balança comercial em 2008. Para o ano de 2009, a estimativa do mercado para o saldo comercial subiu de US$ 12,5 bilhões para US$ 13 bilhões na semana passada.

No caso dos investimentos estrangeiros diretos, a expectativa do mercado financeiro para o ingresso de 2008 foi mantida em US$ 35 bilhões na última semana. Para 2009, a projeção ficou estável em US$ 30 bilhões.



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Por Newton Marques

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A economia mundial irá se recuperar em 2009?

Completamente.
Moderadamente.
A economia não irá se recuperar em 2009.





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