O primeiro pregão do ano na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) foi marcado pela tensão. Boa parte da influência negativa veio de Nova York, devido à retração da atividade industrial dos EUA e também por conta do forte aumento do petróleo, que chegou a superar a marca de US$ 100 por barril durante a sessão. Além disso, a decisão do governo de elevar a contribuição de CSLL dos bancos afetou as ações do setor, que têm peso relevante sobre o Ibovespa.
No final da sessão, o Ibovespa fechou com perda de 1,68%, aos 62.815 pontos. O giro financeiro somou R$ 4,531 bilhões. No menor patamar do dia, o índice tocou 62.658 pontos. Em Nova York, o industrial Dow Jones apontava perda de 1,63% e o Nasdaq cedia 2,61% pouco antes do encerramento dos negócios.
A bolsa paulista já abriu a sessão em baixa, corrigindo a defasagem em relação ao mercado americano, que funcionou na segunda-feira e fechou com queda. Embora os índices acionários em Nova York tenham aberto o pregão com ligeira alta, o índice de atividade manufatureira medido em dezembro pelo Institute for Supply Management (ISM), que apontou retração pela primeira vez desde dezembro do ano passado.
Esse indicador deteriorou o cenário internacional e colaborou para intensificar as perdas domésticas. Agentes do segmento ponderam que a ata do Comitê de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) diminuiu um pouco a tensão lá fora, mas não dissipou a aversão a risco que predominou na jornada.
Na minuta, o Federal Reserve (Fed) reforça a avaliação de que muitos indicadores demonstram desaceleração da economia nos EUA e nos gastos dos consumidores e deixa claro o consenso entre os participantes do FOMC de que é preciso continuar monitorando os dados econômicos para atuar de modo a evitar pressões inflacionárias e de desaquecimento da atividade.
A avaliação geral é de que novos cortes da taxa básica de juros nos EUA podem ocorrer se as condições da economia continuarem preocupando e sinalizando uma eventual recessão.
Kelly Trentin, analista de investimento da corretora SLW, chama atenção também para a decisão do governo, anunciada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, de passar a cobrar Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 0,38% em operações de crédito. Além disso, o governo vai elevar de 9% para 15% a alíquota da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) paga pelo setor financeiro.
Para os bancos a notícia teve impacto negativo. O aumento na alíquota de CSLL afeta diretamente o lucro e a distribuição de dividendos. Além disso o imposto maior para operações de crédito afeta a expansão de oferta de crédito, que tem puxado o resultado dos bancos, explica.
Assim, as ações PN do Bradesco caíram 5,20% (R$ 53); as preferenciais do Itaú declinaram 4,30% (43,52) e as do Banco do Brasil ON perderam 1,97% (R$ 29,80). As ações do setor bancário somadas têm participação no índice de 14,2%.
Entre os demais papéis de peso no Ibovespa, as ações PN da Petrobras declinaram 1,58%, para R$ 87; Vale PNA cedeu 2,85% (R$ 49,30); Usiminas PNA perdeu 2,08% (R$ 79,80); CSN ON encerrou com baixa de 1,63% (155,02).