Micro e pequenas empresas geram mais 20 mil postos de trabalho

As micro e pequenas empresas fluminenses registraram desempenho positivo em setembro de 2006, com relação ao mês anterior. Houve crescimento do pessoal ocupado (1,2%) e da massa salarial (2,4%) e o faturamento manteve-se estável (aumento de 0,2%).

Diante deste cenário, 68% estão otimistas em relação aos próximos seis meses e apostaram em inovação, fizeram investimentos e participaram de treinamentos no terceiro trimestre do ano.

Estas são algumas das conclusões dos Indicadores das Micro e Pequenas Empresas (Impe) do Estado do Rio de Janeiro, que o Sebrae no Rio lançou na terça-feira (28), em sua sede.

Desenvolvidos em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que fará a apuração sistemática dos dados, os indicadores são compostos por Índice de Desempenho (Ides), Índice de Dinamismo (Idin) e Índice de Confiança (Icon).

O Ides de setembro revela que o nível de pessoal ocupado nas micro e pequenas empresas cresceu 1,2% em relação a agosto do mesmo ano, o que significa um incremento de 20.826 postos de trabalho (somados os empregados e os sócios das empresas).

Esse resultado reflete o crescimento de 0,7% dos postos de trabalhos das empresas já existentes e o impacto da entrada em operação de novas micro e pequenas empresas empregadoras em setembro. No total, a pesquisa estima que as micro e pequenas empresas empregadoras do Rio de Janeiro são responsáveis por 1,8 milhão de empregos.

O Ides, que será calculado mensalmente, usa três variáveis - faturamento, pessoal ocupado e massa salarial - para monitorar o desempenho conjuntural do setor. Já o Idin e o Icon serão trimestrais.

Estratégia

A criação destes índices integra a estratégia do Sebrae no Rio de utilizar ferramentas de mensuração adequadas, que permitam um acompanhamento conjuntural, estrutural e prospectivo das micro e pequenas empresas fluminenses. No dia 12 de dezembro, será divulgado o próximo Ides, referente ao mês de outubro de 2006. Os índices Icon e Idin, relativos ao quarto trimestre de 2005, serão divulgados no dia 13 de fevereiro de 2007.

Para enfatizar o peso do segmento e a importância da pesquisa, o diretor-superintendente do Sebrae no Rio, Sergio Malta, lembrou que as micro e pequenas empresas representam aproximadamente 99% dos estabelecimentos existentes no País e também no Estado do Rio de Janeiro e empregam 40% da força de trabalho formal, já sendo as principais responsáveis pela geração líquida de postos de trabalho.

“As médias e grandes empresas criam valor, mas, por conta de fatores como a globalização e a terceirização, geram menos empregos. Por isso, é preciso destacar que a elevação do papel das micro e pequenas empresas pode contribuir para a geração de emprego e a melhor distribuição de renda no País”, explicou Sergio Malta, durante coletiva à imprensa.

Segundo ele, a proposta do Sebrae no Rio é levantar dados confiáveis sobre as micro e pequenas empresas, que ajudem a orientar futuros projetos. “E não apenas os desenvolvidos pelo Sebrae. Os números estarão à disposição de todos os parceiros e entidades interessadas no desenvolvimento do nosso Estado, bem como aos governos federal, estadual e municipais. Com base nestes índices, poderemos maximizar esforços e obter resultados melhores”, disse o diretor-superintendente do Sebrae no Rio.

Metodologia

O universo da pesquisa é formado pelas empresas formais empregadoras do Estado do Rio, nos setores da indústria, comércio e serviços. A amostra foi calculada a partir de uma população de 136.697 estabelecimentos.

A base da pesquisa é a Relação Anual de Informações Sociais (Rais 2004), do Ministério do Trabalho e Emprego. O levantamento não inclui empresas sem funcionários, de empresários que trabalham por conta própria, assim como não leva em consideração os empreendimentos informais.

Para o cálculo do Ides, são usados valores referenciais com base em médias amostrais (resultados da pesquisa) e no número de estabelecimentos (Rais 2005), bem como a estimativa do número de estabelecimentos registrados entre dezembro de 2005 e o mês de referência do Ides (Jucerja 2006).

Considera-se ainda a estimativa de empregos sem carteira assinada, com base em dados da Pesquisa Mensal do Emprego do IBGE. Com isso, a estimativa de estabelecimentos chega a 144.211. A amostra é de 833 estabelecimentos no caso do Ides e 410 empresas nos casos do Idin e Icon. São entrevistados empresários de 178 tipos de atividades, em 73 municípios.

De acordo com a classificação utilizada pelo Sebrae, são consideradas microempresas aquelas que empregam até nove pessoas (nos setores de comércio, serviço e agropecuária) ou até 19 pessoas (indústria). Já as pequenas empresas são as que empregam de 10 a 49 pessoas (comércio, serviço e agropecuária) e de 20 a 99 pessoas (indústria).

Com a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, o critério de classificação passa a ser, exclusivamente, a faixa de faturamento: até R$ 240 mil (microempresa) e R$ 240.001 até R$ 2,4 milhões (pequena empresa).





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