Microempresa do interior de São Paulo já está no mercado de carbono
15 de agosto de 2008 às 15:05
Aquecimento global, mudanças climáticas, créditos de carbono. Essas expressões, usadas freqüentemente pela mídia, nem sempre têm seu significado conhecido pelas pessoas e principalmente pelos empreendedores de micro e pequenas empresas. Mas saber o conceito dessas palavrinhas pode ajudar a entender e a proteger o meio ambiente e ainda a descobrir oportunidades de negócios ambientalmente sustentáveis.
Foi o que fez Juarez Cotrim, proprietário da Cerâmica Luara, uma microempresa da cidade Panorama, no Estado de São Paulo. Há mais de 20 anos no mercado, a indústria de tijolos cerâmicos passou por adaptações, em 2005, para cumprir padrões de emissão de gás carbônico (CO2). “Hoje em dia, os meios de comunicação falam muito em meio ambiente. E ficamos preocupados, com medo de que nossos filhos não tenham os mesmos recursos naturais ou que não conheçam algumas espécies”, ressalta Juarez.
Produzindo mais de 400 mil tijolos por mês, atualmente, a Cerâmica Luara faz essa atividade com consciência ambiental. As lenhas nativas que eram usadas na queima foram substituídas pela biomassa, um pó de serra feito somente de madeiras de reflorestamento e que polui menos o ar. Essas mudanças levaram a empresa de Juarez a ter, em 2007, a aprovação de um projeto para a venda de créditos de carbono. Esse mecanismo de mercado, criado no âmbito do Protocolo de Quioto, permite que empresas que reduziram em suas atividades as emissões de gases, que contribuem para o efeito estufa, possam vender esses créditos a empresas de países desenvolvidos.
"Já fiz duas vendas desses créditos neste ano", afirma Juarez. A primeira foi realizada em fevereiro, quando vendeu os créditos referentes a 23,7 mil toneladas de CO2. A segunda foi realizada no mês passado e correspondeu a 6.370 toneladas de CO2. Cada tonelada traz o retorno de € 6 (seis Euros), em média R$ 15. “Reinvesti na empresa o dinheiro que recebi desse crédito de carbono. Troquei o maquinário de produção e modifiquei a parte elétrica para reduzir mais o consumo de energia”, diz.
A conquista da empresa Cerâmica Luara, que contou com o apoio e parceria do Sebrae, serve de exemplo para os empresários de todo o País que desejam aproveitar as oportunidades de negócios que a onda ambientalista traz. “Estou fazendo a minha parte e espero que outros empresários façam o mesmo. Hoje estão pagando para protegermos o meio ambiente. No futuro, podem nos proibir de trabalhar se não deixarmos de poluir”, completa.
Cartilha
Para que os empresários tenham mais conhecimento sobre as oportunidades geradas com a preocupação ambiental, o Sebrae lançou a cartilha ‘Mudanças Climáticas e Oportunidades de Negócios para Pequenas Empresas’. A idéia é potencializar as oportunidades capazes de aliar trabalho, renda e preservação da natureza.
Na cartilha, as pessoas vão encontrar informações sobre o que é mudança climática e as suas conseqüências, os marcos regulatórios, dados sobre o mercado de crédito de carbono e as oportunidades de negócios. O material está disponível para download no site do Sebrae sobre inovação (www.sebrae.com.br/inovacao), no menu meio ambiente.
O gerente da Unidade de Agronegócios do Sebrae, Juarez de Paula, destaca que a cartilha tem o "objetivo de sensibilizar os dirigentes e colaboradores do Sistema Sebrae para os impactos econômicos, sociais e ambientais decorrentes do fenômeno do aquecimento global e para as novas oportunidades decorrentes dessas mudanças". Segundo ele, um exemplo são os projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que permitem a captação de recursos por meio do mercado de créditos de carbono.
O analista da Unidade de Acesso à Inovação e Tecnologia do Sebrae, Clóvis Rodrigues, destaca que o masterial serve para uso dos técnicos da Instituição e também para os empresários. "É uma forma do empresário lá na ponta começar a fazer a sua parte", diz.
Nelson Moreira, consultor responsável pela concepção e elaboração da cartilha, destaca a importância de se sensibilizar as MPE para a questão ambiental. "As micro e pequenas empresas representam hoje mais de 95% da força produtiva de nosso País. Sua conscientização e sensibilização para os efeitos das mudanças climáticas, tornando o meio ambiente uma agenda permanente de atuação, representará um grande avanço para a redução das emissões dos gases do efeito estufa", ressalta.
O consultor Nelson atenta também para as possibilidades que uma crise ambiental pode trazer. "Há dois caminhos: perigo ou oportunidade. Optemos por transformar a crise climática, maior problema do século, na solução do milênio. Devemos trabalhar o conceito ambiental dentro da lógica empresarial de geração de negócios, ou seja, utilizar bem nossos conhecimentos ambientais, e levar os benefícios da variável econômica para a população”, conclui. URL :: http://www.administradores.com.br/noticias/microempresa_do_interior_de_sao_paulo_ja_esta_no_mercado_de_carbono/16484/