Um dos mais importantes destinos turísticos do Rio Grande do Sul, a Região das Missões, foi tema de reportagem de um dos mais prestigiados jornais do mundo, The New York Times. Em sua edição do último dia 3 de dezembro, o diário norte-americano publicou texto assinado pelo correspondente do jornal no Brasil, Larry Rohter, abordando os atrativos e a história encontrados nas ruínas dos povos construídos por índios guaranis e por jesuítas nos séculos XVII e XVIII, em terras da Argentina, do Paraguai e do Rio Grande do Sul.
Na reportagem, Rohter relata suas visitas às reduções de Trinidad, Jesús de Tavarangue, San Cosme y San Damián (no Paraguai); San Ignácio Miní (na Argentina); e a mais famosa de todas: São Miguel Arcanjo, no município gaúcho de São Miguel das Missões, a 442 quilômetros de Porto Alegre. O correspondente esteve ainda no Santuário do Caaró, no município de Caibaté, erguido no local onde foi morto, em 1626, o padre jesuíta Roque González, canonizado em 1931 e um dos três mártires das Missões.
“As missões jesuíticas são tudo o que resta de uma experiência social utópica dos séculos XVII e XVIII, que fascina pensadores há centenas de anos. Voltaire, Diderot e Montesquieu escreveram sobre as missões, elogiando o impulso igualitário por trás delas”, escreve Rohter. O jornalista elogia o sítio arqueológico de São Miguel Arcanjo, no município de São Miguel das Missões, que o caracteriza como o “local mais agradável” entre aqueles visitados.
Rohter faz uma referência especial ao espetáculo de som e luz encenado todas as noites junto às ruínas da igreja e da povoação, com as vozes de artistas de renome como Fernanda Montenegro e Paulo Gracindo. O espetáculo relata a saga dos chamados Sete Povos das Missões: São Borja, São Nicolau, São João Baptista, Santo Ângelo, São Lourenço Mártir e São Miguel Arcanjo, todos erguidos no território rio-grandense, com destaque, principalmente, aos acontecimentos que levaram à destruição das reduções jesuítico-guarani, a partir de meados do século XVIII.
Também o Museu das Missões, projetado em 1940, pelo arquiteto Lúcio Costa, um dos criadores de Brasília, é destaque na reportagem. “Há 100 obras de arte em seu interior, geralmente, figuras de pedra e madeira bem conservadas, algumas com suas cores originais. Eu fiquei particularmente impressionado com uma sala dedicada a imagens de santas, incluindo uma Santa Soledade, com uma expressão tão triste e tocante que me lembrou uma pintura de Modigliani”, assinala Rohter.
Os locais visitados por Rohter integram o chamado roteiro Iguassu-Missiones, que liga Porto Alegre a Foz do Iguaçu, passando pelos destinos missioneiros no Brasil (Rio Grande do Sul), na Argentina e no Paraguai. O roteiro, que pode ser percorrido em cinco dias e quatro noites, foi instituído oficialmente pelos governos dos três países em junho deste ano. “A partir disso, o Iguassu-Missiones foi encampado pelo Arranjo Produtivo Local (APL) de Turismo Rota Missões” diz o gestor do APL, Tairone Knapp. O APL é impulsionado pelo Sebrae no Rio Grande do Sul.
“A reportagem de The New York Times é o coroamento do trabalho de divulgação das Missões empreendido pela Fundação dos Municípios das Missões e pelo Sebrae”, diz o secretário da fundação, Geovani Gisler. O secretário avalia que a atenção do jornalista pela região foi despertada pela persistência na divulgação do local, inclusive internacionalmente, desenvolvida pelas duas entidades. O secretário lembra, também, que o filme A Missão, de 1986, dirigido por Roland Joffé e estrelado por Robert De Niro, principal produção cinematográfica sobre o episódio histórico, também contribuiu para dar maior visibilidade à região no exterior.