Monte as peças do negócio próprio

Alimentação, limpeza, salão de beleza e lan house estão em alta. Pelo menos no que diz respeito à atração que exercem sobre quem sonha em deixar de ser empregado para virar dono do próprio negócio. Segundo especialistas, a atração é fácil de entender pela demanda crescente para esses serviços. Outro atrativo para esses setores é que as pessoas temem perder a poupança feita após anos de suor e trabalho (para os outros) árduo. Por isso, os candidatos a empresários se interessam por negócios que sempre encontram cheios quando estão na condição de consumidor. Em especial, alimentos e beleza.

Segundo a consultoria paulista Boas Idéias, os negócios mais procurados têm um investimento de cerca de R$ 20 mil até R$ 100 mil. São negócios que vão de restaurantes a lojas de animais. Segundo a analista do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-CE), Sylvia Bessa, as atividades de alimentação, confecção e produção de material de limpeza têm sido bastante procuradas porque oferecem retorno aos investidores. Outra área bastante procurada é o mercado de beleza. "É um mercado que tem crescido muito nos últimos tempos. As pessoas procuram investir porque vêm os salões que existem por aí sempre lotados porque possuem demanda muito grande. Todo mundo quer ficar bonito. E esse negócio é o tipo que atende toda cidade, independente do poder aquisitivo do bairro", afirma. Segundo ela, o público consumidor de atividades que envolvem "qualidade de vida" tem crescido, aumentando o interesse de investir em academias de ginástica e alimentos naturais.

Por outro lado, algumas atividades estão caindo no esquecimento dos empreendedores. Educação infantil, cursos de informática, locação de filmes e panificadoras não atraem tanta gente assim. São atividades que registraram uma oferta muito grande nos últimos anos, desestimulando novos negócios. Além disso, a facilidade no acesso a computadores, Internet e outras formas de entretenimento contribuiu para que os consumidores diminuíssem o interesse por esses serviços fora de casa. Houve, ainda, fatores econômicos como aumento dos insumos e da concorrência.

A atração e o desinteresse por algumas atividades são identificados por empresas de consultoria, mas os especialistas alertam que essas constatações não devem inibir o interesse das pessoas por montar uma empresa. O que precisa é ter planejamento. "Para constituir a empresa, você tem de identificar a atividade. Não existe uma fórmula. Qual o negócio que vai me dar mais dinheiro? Só a pessoa fazendo um plano de negócio consegue saber se é viável ou não o negócio. E isso não é tudo", diz Sylvia Bessa. Segundo ela, mesmo que um negócio se mostre viável pode não oferecer um bom retorno.

De acordo com a analista, excelentes idéias podem não oferecer uma rentabilidade tão satisfatória em relação ao investimento. "Ou o retorno é de um prazo muito longo, ou não existe mercado para o negócio, ou a localização não favorece", afirma. O contrário também pode acontecer, afirma a analista. Muitos negócios que nascem sem muita pretensão conseguem virar grandes empreendimentos.

Para o consultor Fernando Dolabela, autor de livros como O Segredo de Luísa e a Ponte Mágica, é um erro dos empreendedores iniciar uma caminhada rumo ao próprio negócio se perguntando "qual negócio vai me dar mais dinheiro?". De acordo com ele, ao lado do erro de procurar um negócio de maior rentabilidade segue outro erro: a falta de paciência. "As pessoas esperam o retorno financeiro muito rápido e em muitas atividades esse retorno é lento. É um erro freqüente.

Isso faz com que as pessoas procurem negócios que estão tendo sucesso com outras pessoas ou o que dá mais dinheiro. Windows dá dinheiro para o Bill Gates, mas não dá para mim", diz. Segundo Dolabela, a melhor maneira de iniciar um negócio é identificar o próprio talento, conhecer o mercado de atuação e fazer um plano de negócios.


EM ALTA

COMÉRCIO: Barracas de sanduíche, restaurante, lanchonetes e self-service são negócios que, normalmente, oferecem um bom retorno. Por isso, o ramo de alimentação é um dos mais procurados por quem está ingressando no mundo do empreendedorismo. O pensamento é quase sempre o mesmo: todo mundo precisa se alimentar, por isso há mercado. Essa motivação não está de todo errada, mas é preciso ver o ambiente. Negócios assim, geralmente, atendem um público no próprio bairro. Se não houver demanda será um tiro na água.

INDÚSTRIA: A atividade líder em iniciativas é a confecção. O investimento não é tão elevado (máquinas, mão-de-obra e insumos) e produtos como modinha, moda praia e moda íntima são muito procurados. Outra atividade procurada é o de material de limpeza e de perfumaria. São atividades desenvolvidas, geralmente, por alguém que já trabalhou com o produto. Começam em casa e depois buscam se formalizar.

SERVIÇO: Ainda hoje há uma procura muito grande por abrir negócios de lan house. Essa onda de serviço vem crescendo nos últimos quatro anos e ainda têm uma demanda por atender, principalmente um público masculino entre oito anos e 18 anos que busca entretenimento com jogos de computação gráfica. Além disso, os custos têm diminuído com a oferta de Internet e computadores mais baratos. Outro serviço que atrai a atenção de futuros empresários é o de salão de beleza. As pessoas procuram investir porque vêem que as que existem no mercado dão certo e a demanda é muito grande. Todos querem ficar mais bonitos, independente da classe social. Por isso, há o estímulo para montar um negócio mesmo em uma região de baixo poder aquisitivo.

EM BAIXA

COMÉRCIO: Há cerca de cinco anos, o interesse por abrir uma locadora de vídeo era o que mais de manifestava em empresas de consultoria empresarial. A melhoria na renda da população fez com que muitos comprassem videocassete e o novíssimo DVD. Hoje, o interesse em abrir esse tipo de negócio diminuiu bastante, principalmente em bairros com alto poder aquisitivo. Houve um aumento na contratação de TV a cabo e a Internet tem oferecido muito entretenimento. O negócio ainda é procurado em bairros de baixo poder aquisitivo.

INDÚSTRIA: No final da década de 90 e início dos anos 2000, houve uma explosão no interesse dos empreendedores em montar padarias. O aumento nos insumos (o trigo tem registrado alta nos últimos anos) fez com que o interesse pela atividade tenha caído. Hoje, o que se procura é associar a padaria a um mercadinho, além de oferecer serviços como café da manhã e almoço. O mesmo acontece com o próprio mercadinho tradicional, que também apresentou queda nos últimos cinco anos.

SERVIÇO: Os negócios com educação perderam muito o encanto que exerciam sobre os sonhos dos empreendedores. Em especial, as escolas de informática. Há dez anos, o negócio era uma febre em todo o País. Um dos principais motivos para o desinteresse é o baixo retorno, que muitas vezes não compensa o alto custo para montar o negócio. Como o uso do computador está mais acessível, as pessoas vão aprendendo o básico com amigos e parentes e dispensam as escolas de informática. Creches e pré-escola também deixaram de atrair a atenção dos empreendedores. Hoje, registra-se mais a expansão de redes já tradicionais do que o surgimento de novos negócios na área.




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A economia mundial irá se recuperar em 2009?

Completamente.
Moderadamente.
A economia não irá se recuperar em 2009.





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