Motivação: um olhar para o “Eu” interior

Não existe um único caminho para o ser humano seguir e se sentir realizado seja no campo pessoal ou profissional, pois cada pessoa possui aspirações e planos individuais para o futuro. No entanto, não é difícil encontrar indivíduos desmotivados e que só conseguem reclamar que o “destino não foi generoso” ou afirmam convictamente que “o sol não nasce para todos”. Contudo, se observado atentamente, o dia-a-dia pode revelar o motivo que atrapalha a vida e a felicidade de milhões de homens e mulheres. Muitas dessas pessoas deixam de ser felizes porque não conhecem a si mesmas, deixam de se familiarizar com seus pontos fortes e fracos. Por isso a busca pelo autoconhecimento cada vez mais tem sido valorizada.

Buscar o autoconhecimento, afirma o consultor organizacional Orlando Pavani Jr., nada mais é do que acessar as profundezas do próprio interior e que, muitas vezes, revela um lado do comportamento humano nem sempre tão agradável. Dessa forma, o indivíduo pode trabalhar aquilo que o impede de conquistar novos horizontes, inclusive no meio organizacional.

RH.COM.BR - O que significa trabalhar o autoconhecimento?
Orlando Pavani Jr. - Trabalhar o autoconhecimento significa acessar as profundezas de seu próprio interior com a convicção de quem nem sempre, ou melhor, na grande maioria das vezes, o que se encontrará são detalhes de nosso íntimo nada agradáveis de assumir. Na realidade, autoconhecimento é reconhecer as nossas próprias falhas e assumir que tudo, absolutamente tudo, é culpa nossa, sejam as coisas boas ou ruins.

RH - O autoconhecimento é capaz de influenciar a motivação?
Orlando Pavani Jr. - O autoconhecimento é, na realidade, a única coisa que realmente motiva o ser humano, uma vez que a motivação vem de dentro para fora e não de fora para dentro. Ninguém motiva uma pessoa: o que existe é um alinhamento com expectativas pretendidas – internas de cada indivíduo – com as ofertas, ou seja, as regras de convívio de cada empresa ou ambiente. Se uma empresa valoriza, por exemplo, a pontualidade, jamais será possível motivar alguém que abomina a pontualidade. Para essa empresa motivar seus colaboradores, deveria começar por não contratar pessoas que desvalorizem o pressuposto da pontualidade, ou seja, é muito mais uma procura de personalidades com ideais ou expectativas parecidas do que qualquer outra coisa.

RH - Se o autoconhecimento influencia a motivação, conseqüentemente, provoca reflexos nas emoções?
Orlando Pavani Jr. - As emoções são sensações promovidas por algum estado motivacional, portanto, sensações desagradáveis são causadas por fatores desmotivacionais e sensações agradáveis são causadas por fatores motivacionais. A mesma notícia pode motivar alguns e desmotivar completamente outros profissionais. Tudo é uma questão de similaridade de valores, de princípios, e não de motivação em si.

RH - Se o autoconhecimento está relacionado às emoções das pessoas, não podemos deixar de mencionar que o autodesenvolvimento tem sido um caminho para a evolução das competências comportamentais. Isso tem influenciado as organizações a investir no autodesenvolvimento dos profissionais?
Orlando Pavani Jr. - Essa é uma pergunta muito, muito importante mesmo. As empresas aprenderam, ou estão em fase de aprendizado, que não existe vida profissional desvinculada da vida pessoal. As pessoas “falsas-felizes” no âmbito pessoal, digo “falsas-felizes” porque existem pessoas que estão infelizes, mas sequer se aperceberam disso ainda, pois a vida atribulada as impede de notar o seu grau de automatismo com que vivenciam a própria existência. Essas mesmas pessoas não darão tudo o que podem no âmbito profissional, portanto tratar o autodesenvolvimento é imprescindível para conquistar o compromisso necessário em um ambiente corporativo clássico.

RH - Quais são as principais competências comportamentais que o autodesenvolvimento pode focar?
Orlando Pavani Jr. - Existem muitas competências, contudo, nossa empresa, por exemplo, utiliza um teste de inteligência emocional desenvolvido por Robert Cooper, chamado EQMAP, que considera 20 requisitos relevantes para o mapeamento emocional como, por exemplo: prazer em fazer coisas desagradáveis inevitáveis; freqüência com que faz as coisas de que gosta; consciência dos nomes das próprias emoções; capacidade de expressar suas próprias emoções; consciência dos nomes das emoções dos outros; grau de intencionalidade em todos os seus atos; criatividade; flexibilidade em aceitar e acessar coisas antagônicas ao que acredita; capacidade de se relacionar com pessoas de maneira efetivamente autêntica e sem querer ser amada por todos; capacidade de gerar decisões por consenso e de não se decepcionar com decisões diferentes das que considera a melhor; otimismo; empatia; acatamento da própria intuição; capacidade de pensar antes de tomar decisões precipitadas; poder pessoal de fazer os outros obedecerem as suas diretrizes; integridade ou comportamento centrado; saúde geral; qualidade de vida; quociente de relacionamento e desempenho.

RH - As empresas estão atentas para a importância do autodesenvolvimento?
Orlando Pavani Jr. - Sim, creio que estejam atentas, mas ainda em fase embrionária, pois a maioria das iniciativas de treinamento focadas no autodesenvolvimento ainda está restrita a palestras proferidas por pessoas muito engraçadas, como os chamados showmen com conteúdo relevante. O que acredito ser mais eficaz para esse caso são as experiências vivenciais e de alto impacto que ativem neurologicamente as pessoas, e não apenas intelectualmente.

RH - Quais as vantagens que o investimento no autodesenvolvimento traz às organizações?
Orlando Pavani Jr. - Na grande maioria das vezes, uma vida mais feliz tanto pessoal quanto profissionalmente, apesar de todas as circunstâncias limitantes que a vida moderna nos impõe. Costumo dizer que o autodesenvolvimento permite que nós até levemos alguns tombos, mas, quando cairmos, teremos a certeza de que cairemos “de pé”.

RH - De que forma a área de RH pode estimular o autodesenvolvimento dos profissionais?
Orlando Pavani Jr. - Com treinamentos vivenciais especializados na ativação de níveis neurológicos do cérebro, e não apenas nos níveis intelectuais, o que só se consegue com técnicas específicas e diferenciadas das técnicas eminentemente relacionadas à psicologia. É um paradigma que está sendo gradativamente quebrado, pois a psicologia não é objeto nem tampouco ferramenta de trabalho durante os treinamentos dessa natureza.


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A economia mundial irá se recuperar em 2009?

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Moderadamente.
A economia não irá se recuperar em 2009.





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