A discussão sobre mudanças no arcabouço regulatório do setor de petróleo e gás despertou um sentimento de insegurança generalizada entre os acionistas da Petrobras (PETR4, PETR3), que se mostraram particularmente ofendidos com possíveis novidades nas regras de concessão de petróleo, segundo apurou enquete promovida pela InfoMoney.
Diante da pergunta: "o que você acha da idéia do governo de alterar as regras de concessão de petróleo no Brasil?", 59,27% das escolhas foram atribuídas à opção "péssima, é uma afronta aos acionistas da Petrobras". O debate sobre a criação de uma nova estatal para gerir as riquezas da exploração do pré-sal ganhou corpo nos últimos dias. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou qualquer definição.
Lula já deixou claro, no entanto, que pretende utilizar os recursos da extração futura do petróleo na área social. À InfoMoney TV, o analista da Win, home broker da Alpes Corretora, Fausto Gouveia, destacou que "mudar a regra do jogo" pode trazer volatilidade para a ação da empresa. "Mas o acionista minoritário pode ficar tranqüilo. O Lula já mostrou discurso bem mais ameno. Acho que a coisa vai caminhar na direção da Petrobras ser uma parceira desta nova estatal, levando prioridade nos contratos firmados", avalia.
Visões
De acordo com o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella, está descartada a possibilidade de quebra de contratos no novo marco regulatório do pré-sal. Ele enfatizou a necessidade de se respeitar os acionistas minoritários, apesar de o interesse público estar acima do privado.
O ex-presidente da Eletrobrás e diretor da Coppe-UFRJ (Coordenação dos Projetos de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro), Luiz Pinguelli Rosa, considera válida a "nova estatal". Diante do patamar alcançado pelo Brasil com as gigantescas descobertas de jazidas, ele defende alterações na Lei do Petróleo, o que deverá afetar os papéis da Petrobras, acrescenta o especialista.
Em entrevista à InfoMoney, Edmilson Moutinho dos Santos, do IEE (Instituto de Energia e Eletrotécnica) da USP, afirmou que dificilmente as mudanças serão bruscas no sentido de inviabilizar o cenário intermediário de "ótimo e excelente" para a Petrobras. "Defendo que o modelo atual deva ser aprimorado, mas não requer grandes revoluções".