Mulheres e jovens predominam no perfil do profissional de RH

Uma pesquisa promovida pela ABRH-Nacional sobre o perfil do profissional do setor, com 1.979 entrevistados em praticamente todos os estados brasileiros, revelou uma radiografia importante sobre as pessoas que atuam nesse segmento. Desse total, 137 pessoas foram entrevistadas em profundidade, por contato telefônico para qualificar melhor a amostra.
Coordenada por Cirlene Werneck, Vice-Presidente de Treinamento da ABRH-Nacional, a pesquisa mostrou que há uma predominância de mulheres na função, que representam 66% do total de profissionais consultados, inclusive nas posições de chefia, onde elas representam 59% da amostra.

Entre os 1.979 profissionais que concordaram em responder a pesquisa, 632 ocupam cargos de chefia, 895 são profissionais do setor e 452 são prestadores de serviços nas áreas de RH. Em todos estes universos, a presença feminina é majoritária, chegando a 77% entre os profissionais que atuam no setor, sem cargo de chefia.

Do ponto de vista de idade, a pesquisa evidenciou um universo jovem, com quase 50% dos profissionais com idade entre 18 e 32 anos. No caso das chefias, 55% desse universo tem idade entre 33 a 52 anos.

Quando a pesquisa analisa a área de atuação dessas pessoas, três se destacam: departamento de pessoal, com maior predominância de chefias; e treinamento e desenvolvimento, nos dos outros universos, o que ajuda a evidenciar o caráter ainda operacional das áreas de recursos humanos das empresas.

No que diz respeito à formação desses profissionais, a pesquisa evidencia que as áreas de recursos humanos das empresas reúnem dois perfis profissionais bem diferentes: administradores de empresas e psicólogos, sendo que o perfil do administrador prevalece tanto entre as chefias quanto o pessoal de RH, mas perde para o perfil do psicólogo quando se analisam os profissionais que prestam serviços em RH. Entre as chefias, administradores e psicólogos somam quase 65% do total de profissionais, quase que a mesma proporção verificada entre os profissionais de RH. Já entre os prestadores de serviços, esses dois perfis somam quase que 50% do total, mas com leve predominância para o perfil psicológico.
No que diz respeito aos cursos de extensão preferidos, ou pós-graduação latu sensu, em todas as categorias analisadas o curso de Gestão de Pessoas é o mais procurado, chegando a superar os 50% no que diz respeito ao universo das chefias.

A pesquisa evidenciou que os profissionais do setor são relativamente bem qualificados, pois a maioria tem cursos de qualificação em vários segmentos como departamento de pessoal, treinamento e desenvolvimento, remuneração e salários e até responsabilidade social. Para a maioria dos entrevistados, os cursos existentes no mercado geram integral ou parcialmente as competências necessárias para a execução da função, uma avaliação que chega a 77% entre as chefias e 81% entre os profissionais de RH.

Segundo os entrevistados, a principal área onde a empresa precisará manter especialistas é a de desenvolvimento organizacional ou carreiras, um indicador que reflete claramente uma tendência com maior preocupação no que diz respeito à gestão de talentos em todas as empresas do mundo, não apenas do Brasil. A mesma pesquisa assinala que os generalistas são melhor vistos e aproveitados quando estão na chefia ou em empresas prestadoras de serviços, como consultorias. No entanto, a pesquisa evidenciou que 62,9% dos entrevistados planejam desenvolver carreiras generalistas.

Em relação à certificação de profissionais, a pesquisa revelou que os gestores de Recursos Humanos valorizam pessoal certificado em áreas como TI, OAB e Contabilidade, mas optam mais por não certificados (51,7%), no que diz respeito a profissionais de gestão de projetos.
Segundo Cirlene Werneck, os aspectos qualitativos da pesquisa evidenciaram uma boa notícia: "Os profissionais consultados acreditam que o curso de tecnólogo em RH, oferecido em algumas instituições, tem contribuído para a formação de pessoas melhorando a qualificação das próprias universidades", assinala.

Para os profissionais do setor, os cursos de graduação em gestão de pessoas, de modo geral, são muito teóricos e ministrados por professores sem experiência em RH. "Além disso, os consultados apontam que os casos ensinados em sala de aula não têm relação com a cultura e a realidade da empresas brasileiras", alerta Cirlene.

A pesquisa evidenciou, ainda, que as universidades com cursos de gestão de pessoas que se destacam no cenário nacional parecem não apelar a modismos, mantêm posição crítica em relação ao conhecimento trabalhado e têm uma identidade forte, com valores que transcendem o mundo dos negócios.

Segundo Cirlene, embora prevaleçam nas empresas os especialistas, a pesquisa revela que há uma tendência para a contratação de generalistas, em função da necessidade de áreas de RH que liderem processos de transformação. "Constatamos, ainda, que os profissionais de RH ouvidos, de modo geral, acreditam que as pessoas nesse setor precisam se envolver mais com os negócios das empresas onde atuam, compreendendo melhor onde a empresa pretende chegar e eliminando uma postura característica de "back office". Há uma resistência a criar novos padrões de atuação", adverte.

A pesquisa assinalou que as áreas de RH precisam atuar mais como consultores internos, buscando processos de reorganização e otimização organizacional, algo que só é possível de ser alcançado por alguém que compreende o negócio da empresa.



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