Com recorde em 2007, o País registrou 677 aquisições: 43% a mais que em 2006, de acordo com a KPMG. Vamos analisar: destas empresas adquiridas, quantas mudaram seu quadro de funcionários? Quantas remanejaram seus profissionais sem causar demissão em massa ou optando por métodos mais inteligentes de realocação e outplacement?
Mais que cuidar dos números, a importância de processos de fusão e aquisição está também em manter ou melhorar pontos da gestão em suas companhias. A gestão de pessoas nestes casos é sempre tensa e dolorosa, pois gera incertezas nas equipes de ambos os lados. Todos sentem-se "desconfortáveis" com a situação. Mas, o que sentem os profissionais que fazem parte da outra corporação?
Se dissermos que 90% dos funcionários serão mantidos, todos imediatamente se verão nos 10%. Esta reação é inevitável. O melhor que se pode fazer é manter-se com alto nível de empregabilidade, atualizado, flexível e disposto a viver novas situações. Estas são atitudes que devem ser cultivadas em qualquer situação.
Outro fator que não deve ser esquecido é manter o networking aquecido. Mas, lembre-se: networking forte não é conhecer milhares de pessoas, mas sim, ser conhecido e respeitado por quem realmente interessa. A grande armadilha é que nos acomodamos ao dia-a-dia do trabalho e achamos que isto nos garantirá algo. Este alerta, aliás, serve tanto para os empresários como para os empregados.
Quando acontece um processo de aquisição ou fusão, o funcionário já está diante de algo concreto: a mudança. Por isso, algumas atitudes são saudáveis, como informar-se objetivamente sobre o que será a empresa resultante. Portanto, fica a dica: busque as fontes oficiais, ou seja, os executivos de confiança. Aos empresários e profissionais que lideram esta transição, vale lembrar: nesta passagem, haverá um medo "onipresente", porém concreto, já que as duas organizações estão se unindo.
O antídoto eficaz é realizar as transformações e informar a equipe sobre elas o mais rápido possível. Isso evita o chamado e tão temido "rádio peão". Lembrando, antes de tudo, que empresas são feitas por pessoas. Uma alternativa para esta situação em gestão de pessoas é recorrer a serviços de outplacement, de forma que aqueles que serão desligados já contem com assessoria especializada em recolocação e não se sintam completamente desamparados.
Durante um processo de fusão ou aquisição, as empresas envolvidas encaram uma fase em que perdem momentaneamente a identidade com o mercado, pois seus funcionários passam a olhar apenas para o ambiente interno. Por isto, quanto menos durarem as incertezas, menos tempo a nova companhia mostrará suas fragilidades, inclusive para a concorrência.
* Rubens Antonelli é IT Services Director da TOPMIND –rubens.antonelli@topmind.com.br