2018: “o ano” para as startups brasileiras

De acordo com um levantamento da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), o mercado de startups brasileiras dobrou nos último seis anos

Eduardo Küpper, Administradores.com,
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O ano de 2018 pode entrar para a história como “o ano” para as startups brasileiras. O mercado está mais maduro, assistiu o surgimento de seus primeiros unicórnios e também começou a atrair mais investimentos e atenção do mercado nacional.

De acordo com um levantamento da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), o mercado de startups brasileiras dobrou nos último seis anos: em 2012, eram 2519 startups cadastradas na associação; em 2017, esse número alcançou 5147 empresas. A quantidade de empresas pode ser ainda maior, pois muitas startups estão em uma fase de concepção e muitas outras ainda não têm o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), de acordo com a entidade.

Mesmo em um cenário de lenta recuperação econômica, o pouco crescimento surtiu como um bom sinal para aumentar a confiança dos investidores. As startups tiveram mais acesso a capital por meio de investidores anjo, venture capital e outras modalidades. E a lógica do capital é impulsionar este mercado: quanto mais acesso a recursos financeiros, maiores são as chances de captar e melhorar as condições de fazer isso. Sem contar que são esses sinais que o mercado precisa para aquecer e atrair mais empreendedores.

Este também foi o ano que apareceram os primeiros unicórnios brasileiros. A alcunha classifica aquelas empresas que são disruptivas em seu segmento de atuação e passam a valer mais de 1 bilhão de dólares. Pense em startups como Uber, Airbnb e Spotfy, empresas que mudaram a relação com o consumidor por meio da tecnologia e estão entre as startups mais valiosas do planeta.

O feito é raro: existem 240 unicórnios no mundo e costumam aparecer cerca de quatro startups desse tipo por ano no mundo inteiro. Por aqui, quem elevou o patamar das startups brasileiras foi a 99, de aplicativos para transporte urbano. Logo no começo do ano, a empresa foi vendida à chinesa Didi Chuxing, uma rival do Uber, e alcançou o valor de mercado de 1 bilhão de dólares. À ela, somam-se a Pagseguro, empresa de meios de pagamento, que fez um bem sucedido IPO na Nasdaq (Estados Unidos); e a Nubank, de serviços financeiros. Mas os unicórnios não param por aí, pois há notícias que o seleto grupo integre pelo menos mais cinco empresas desse tipo.

Além dos unicórnios, este foi o ano que as startups atraíram olhares de grandes empresas nacionais. Muitas delas lançaram seu próprio programa de aceleração de startups. Outras, como Bradesco e Itaú, os maiores bancos privados brasileiros, inauguraram e ampliaram seu espaço para abrigar e apoiar startups, respectivamente.

Uma outra pesquisa da ABStartup, desta vez em conjunto com a consultoria Accenture e realizada com cerca de mil startups, mostra que 88% dos empreendedores acreditam que o acesso ao capital deve melhorar; e 73% deles que o ambiente regulatório será mais promissor nos próximos anos. A mesma pesquisa mostra ainda que 41% destas empresas estão no momento de tração, ou seja, na última fase da startup, onde ela é praticamente obrigada a crescer ou morrer. Em outras palavras, há um celeiro de oportunidades neste mercado a espera de melhora de capital e de um ambiente de negócios mais promissor.

Por fim, acredito que a tendência será de expansão, amadurecimento e ampliação do acesso ao capital para as startups brasileira. Isso se deve ao apetite do mercado em investir, sobretudo, no setor financeiro (fintechs), mas também ao aumento de fluxo de capital e aos unicórnios descobertos em 2018. Essa será uma combinação positiva para atrair ainda mais os olhares e os investimentos em 2019.

Eduardo Küpper — MBA pela Wharton Business School e MA em Estudos Internacionais pelo The Lauder Institute, na Universidade da Pensilvânia e Co-fundador da Wharton Alumni Angels Brasil- whartonangels@nbpress.com.