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5 inventores pouco conhecidos que transformaram o mundo com suas inovações

Conheça nomes como Stephanie Kwolek, Garret Augustus Morgan e Douglas Carl Engelbart e saiba como eles desenvolveram invenções fantásticas

3M Inovação,
Chemical Heritage Foundation/Creative Commons
Stephanie Kwolek foi a criadora do p-fenilenodiamina com cloreto de tereftaloila -- fibra conhecida como Kevlar

No rol de grandes inventores da humanidade, nomes como Leonardo Da Vinci, Thomas Edison, Steve Jobs e Graham Bell certamente figuram no topo. Outros, menos conhecidos, criaram produtos que até hoje são usados em indústrias, escritórios e lares.

Conheça alguns desses inventores e saiba porque eles merecem ser tão lembrados quanto os nomes citados acima.

Douglas Carl Engelbart

A interface dos computadores não seria a mesma sem um periférico essencial para a experiência do usuário: o mouse. O item, na verdade, é dispensável se você souber localizar e executar arquivos digitando o endereço dos diretórios e contar com bastante tempo disponível. Para a maioria dos usuários de computador, é impossível interagir com a máquina sem o mouse.

Seu criador, o engenheiro eletrônico Douglas Carl Engelbart, era fascinado pela maneira como as máquinas poderiam atuar como extensores das capacidades humanas -- tanto físicas quanto intelectuais. Seu interesse pelo assunto despertou depois que leu um artigo de Vannevar Bush na revista The Atlantic intitulado As we may think.

Em 1963, no auge da corrida espacial e tecnológica, a recém-criada Advanced Research Projects Agency (ARPA) financiou a construção do laboratório de Engelbart, batizado como Augmentation Research Center. No laboratório, o cientista desenvolveu o sistema de computador NLS, o primeiro a integrar o mouse. Em 1968, foi feita a primeira demonstração funcional do que viria a ser um computador pessoal anos depois, com teclado, mouse e microfone integrado

Na década de 1970, quando a ARPA cancelou o financiamento e o laboratório fechou as portas, parte dos cientistas foi trabalhar no centro de pesquisas de Palo Alto, criado pela Xerox Corporation. Lá, as invenções de Engelbart, incluindo o mouse, foram incorporadas ao primeiro modelo de computador pessoal. Daí, a história toma outro rumo, com a Apple e Microsoft duelando pelo futuro da computação pessoal com inovações saídas do celeiro da Xerox. Entre elas, o mouse.

Engelbart também é conhecido por trazer o hipertexto para a computação, inovação que faz parte das bases da internet.

Garrett Augustus Morgan

Já ouviu falar em empreendedores em série? Garret Augustus Morgar foi um deles. Como a maioria dos jovens negros à época, teve que parar de estudar na infância para trabalhar. Durante a adolescência, quando trabalhava em uma fazenda no estado de Ohio e pagou por um tutor.

Já adulto, era conhecido por sua habilidade em consertos e reparos. Criou uma máquina de costurar própria e abriu uma sapataria. Anos depois, abriu uma alfaiataria e decidiu experimentar um líquido que impedia as agulhas das máquinas de queimar os tecidos. Por acidente, notou que o produto também tinha um efeito alisador no cabelo humano e lançou a invenção como produto, sob uma nova marca: a G. A. Morgan Hair Refining Company.

Sua invenção mais célebre foi um capuz de segurança que funcionava como proteção contra fumaça -- invento precursor das máscaras de gás, instrumento indispensável para bombeiros e trabalhadores que atuam em áreas insalubres. Em 1916, Morgan e outros três voluntários usaram o capuz para resgatar trabalhadores em um túnel no lago Erie -- Morgan, pessoalmente, fez quatro incursões no túnel. O capuz era simples e eficaz, enquanto outras invenções concorrentes eram complexas ou pouco confiáveis. Para comercializar o produto, criou outra empresa, a National Safety Device Company.

Essa não foi a última criação de Morgan. Em 1922, testemunhou um acidente de trânsito e percebeu que ali existia um problema para ser resolvido. Além da expansão dos automóveis e o crescimento das áreas urbanas, a sinalização existente era confusa ou insuficiente para dar conta do tráfego. Semáforos já existiam, porém Morgan propôs uma terceira fase para indicar "atenção". O sistema foi patenteado e vendido para a GE por US$40 mil - uma fortuna à época.

Morgan teve um papel social ativo: participou de clubes e organizações de homens negros, fundou outras empresas -- como um jornal -- e foi o primeiro negro em Cleveland a dirigir um carro. Apesar da sua inventividade, precisou pagar um ator branco para vender seus produtos pelo país e só recebeu reconhecimento nacional um mês após sua morte.

Charles Richard Drew

Algumas invenções, pelo número de vidas que salvam, não podem ter seu valor medido em cifras. Uma delas é o sistema de bancos de sangue para transfusão, criado pelo médico cirurgião norte-americano Charles Richard Drew. Em 1940, conseguiu uma bolsa de estudos pela Fundação Rockefeller para cursar doutorado na Universidade de Columbia com uma tese sobre bancos de sangue.

Na Howard University, Drew realizou pesquisas sobre transfusões e criou técnicas para o armazenamento de sangue e separação do plasma. Seu invento possibilitou a criação de bancos de sangue em larga escala, hoje instalados em hospitais do mundo inteiro. Durante a Segunda Guerra Mundial, esse sistema -- aliado a uma forte campanha de doação encabeçada por Drew -- ajudou a salvar as vidas de milhares de civis e soldados aliados. Em cinco meses, a campanha "Sangue para a Grã-Bretanha" obteve 15 mil doações.

Ele também foi o responsável pelo treinamento da equipe para garantir o asseio durante a manipulação e nas operações de transfusão e para detectar possíveis doenças no sangue coletado, evitando a transmissão de doenças. Além disso, criou uma solução logística para garantir uma maior mobilidade às operações de coleta e transporte: sugeriu o uso de caminhões refrigerados e testava todas as amostras antes que as bolsas fossem embarcadas.

Além de ser um exímio pesquisador, Drew também teve atuação social. Foi o primeiro afro-americano a atuar como examinador na Câmara Americana de Cirurgia numa época em que muitos negros tinham o tratamento recusado. Além disso, estimulava os jovens negros a ingressarem na área das ciências médicas numa época em que a discriminação pela cor da pele era regra nos Estados Unidos.

Stephanie Louise Kwolek

Grandes descobertas já ocorreram por acidente. Da Teoria da Gravitação Universal à penicilina, um erro de percurso ou qualquer situação fora do experimento podem levar a uma descoberta disruptiva. Foi o que aconteceu com Stephanie Louise Kwolek, criadora do p-fenilenodiamina com cloreto de tereftaloila -- fibra conhecida como Kevlar, aplicada em coletes à prova de balas e outros sistemas de proteção.

Além de ser cinco vezes mais resistente do que o aço, o Kevlar é extremamente leve, o que torna sua aplicação mais simples. Kwolek, que na época trabalhava na DuPont, queria desenvolver um produto mais leve e eficiente do que o metal para reforçar pneus de carros. Durante a pesquisa, Kwolek notou uma solução cristalina líquida que poderia ser transformada em fibras ultrarresistentes. Uma dessas fibras foi o Kevlar.

O produto, descoberto na década de 1960, pode ser aplicado em barcos, aviões, equipamentos de proteção individual, cabos de fibra ótica, cordas e equipamentos de segurança -- incluindo capacetes e coletes. "Nem em mil anos eu pensaria que a descoberta dessa solução líquida salvaria milhares de vidas", contou Kwelek ao USA Today numa entrevista concedida em 2003, no auge da guerra no Iraque e Afeganistão.

No entanto, viabilizar o produto não foi tarefa fácil. Um produto de consistência mole, líquido e com partículas sólidas, não parecia ser a opção ideal procurada pela DuPont para a aplicação demandada -- pneus mais eficientes. Para ser transformado em fibra, a solução de polímeros é processada em uma máquina. De acordo com Kwolek, o operador apontou a presença de sólidos que davam um aspecto turvo.

"A rigidez era absolutamente espetacular. Foi quando eu disse 'aha!', sabia que estava diante de uma importante descoberta", contou a química ao NY Times.

Richard Gurley Drew

Um dos principais marcos na história da 3M, empresa de tecnologia conhecida por grandes inovações em adesivos e fitas, foi a criação da fita crepe por Richard Gurley Drew.

Na década de 1920, a 3M fabricava lixas resistentes à água e tinha contratos com oficinas mecânicas. Quando Drew foi a uma dessas oficinas para entregar e testar um lote de lixas, percebeu que os mecânicos tinham dificuldade para pintar algumas partes dos carros e proteger as outras, improvisando um mascaramento com jornal.

A partir dessa necessidade, Drew desenvolveu uma fita com boa colagem, mas que não danificava a pintura original do carro quando retirada -- foi o primeiro produto da linha Scotch e a primeira geração de fitas adesivas sensíveis à pressão.

A marca foi um sucesso absoluto no mercado, e Drew se encarregou de criar produtos sucessores como a fita adesiva de celofane, usada para selar caixas e em outras aplicações. A fita de celofane ganhou fama durante a Grande Depressão. Com a queda no consumo de produtos novos, os norte-americanos passaram a consertar itens domésticos com a fita adesiva desenvolvida por Drew. Livros, brinquedos, roupas e até cédulas eram fixadas com a fita.