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5 regiões para investir fora do eixo Rio-SP

O Brasil tem um vasto território e oportunidades espalhadas por todos os cantos

Eber Freitas, Administradores.com,
iStockphoto
VItória (ES) já foi apontada como a melhor cidade brasileira para empreender

Não há controvérsia sobre a pujança econômica das duas maiores cidades do Brasil: Rio de Janeiro e São Paulo. Juntas, elas concentram cerca de 16% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e têm oportunidades inigualáveis. No entanto, o Brasil tem um vasto território e outras cidades têm atrativos peculiares que podem representar ótimas oportunidades de negócios.

Em 1957, a criação da Zona Franca de Manaus pela Lei 3.173/57 teve como propósito levar indústrias e desenvolvimento para uma região de baixa densidade demográfica. Oportunidades de negócios não surgiriam apenas pela força de vontade. Foi necessário estabelecer um modelo de desenvolvimento baseado em isenções e incentivos para contrabalancear as desvantagens.

Mesmo com uma dimensão continental, o Brasil tem apenas uma Zona Franca -- a China, por exemplo, tem oito, e os Emirados Árabes Unidos, 10. Mesmo em nações de território menor, como a Coreia do Sul (3) e a Espanha (4), há maior presença de Zonas Francas.

Outros fatores favorecem o desenvolvimento de regiões afastadas. No Vale do Silício (EUA), por exemplo, houve uma forte concorrência de elementos que proporcionaram a transformação da região em um pólo tecnológico, como a criação de universidades e cursos de ponta, vistos de imigração para talentos na área de tecnologia, dentre outros.

No Ranking de Cidades Empreendedoras 2016, pesquisa publicada pela Endeavor, é comum encontrar cidades como Ribeirão Preto, Vitória, Natal e Joinville entre os destaques. A economia brasileira foi descentralizada nas últimas décadas, o que favoreceu, sobretudo, regiões do interior.

"É notável a qualidade de vida e os custos mais baixos, com níveis também avançados de capital humano e inovação. Se há um descolamento maior da líder São Paulo, é inegável que o interior do Sul e Sudeste aparece cada vez mais forte", aponta o relatório.

Cidades localizadas no interior e longe dos maiores centros urbanos do país têm se destacado em criar ambientes empreendedores. A abertura de novos centros universitários públicos, esforços para a eliminação de barreiras burocráticas, incentivos fiscais são medidas que têm atraído tanto empresas que se expandem por franquias quanto grandes investimentos de multinacionais.

Confira abaixo cinco regiões no Brasil que são -- ou podem ser no futuro -- ótimas hóspedes para novos negócios.

1. Vitória (ES)

A cidade que ficou conhecida recentemente pela greve da Polícia Militar -- seguida de saques, assassinatos e arrastões sob o sol do meio dia -- tem um lado positivo que ficou obscurecido. Há alguns anos, a capital capixaba figura nas primeiras colocações em rankings de cidades empreendedoras.

Um estudo conduzido pela consultoria Urban Systems aponta que a cidade é a sexta melhor do Brasil para se investir em negócios. Vitória já esteve melhor. Em 2014, foi apontada como a melhor cidade no Brasil para os negócios por sua boa infraestrutura, alta renda da população e foco em serviços.

Com a queda no Produto Interno Bruto (PIB) e a inevitável retração do segmento de serviços, a cidade sentiu o peso da recessão. Mesmo assim, conserva o legado de uma estrutura portuária e de uma boa educação, o que favorece a produtividade da mão de obra.

A localização também ajuda. Localizado na Região Sudeste, o Espírito Santo faz divisa com os estados da Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A partir do porto de Vitória, são escoados produtos agropecuários dos estados vizinhos, o que faz da cidade um importante entreposto comercial.

Uma das empresas que apostou no ambiente da capital capixaba foi a Global Study, focada em intercâmbios. Por meio de uma unidade franqueada, passou a atuar na cidade de Vitória no final de 2016. O município foi escolhido por seu "enorme potencial e por estar em franco desenvolvimento".

A unidade foi instalada na principal avenida da capital, próximo aos principais centros universitários, à Federação de Indústrias local e à Petrobras.

2. Palmas e região (TO)

A discreta capital do meio-norte do país foi a última cidade planejada no Brasil. Criada em maio de 1989, menos de um ano após a fundação do estado de Tocantins, Palmas não tem os atrativos de uma cidade litorânea, como a presença de um porto. Mas, menos de 30 anos após sua fundação, tem números invejáveis.

O PIB per capita saltou de R$ 7,1 mil para R$ 22,5 mil entre 2002 e 2010. A baixa densidade demográfica contribui para um PIB per capita favorável. A estimativa populacional da cidade para 2016, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), era de 279,8 mil habitantes.

A economia é fortemente amparada pelo setor de serviços, que responde por 47% da composição econômica de Palmas. A participação da indústria é de 16,3%, enquanto a da agropecuária é de apenas 0,7%. Em 2013, o setor de serviços empregava 86 mil pessoas e gerou um valor adicionado bruto de R$ 3,1 bilhões.

A infraestrutura é um dos grandes atrativos de Palmas. Toda a cidade é atendida por redes de abastecimento de água. A cobertura por redes de esgoto é ligeiramente superior à média brasileira -- 50.3%, de acordo com o Plano Municipal de Saneamento da cidade. No entanto, a cidade foi destaque no último ranking do Instituto Trata Brasil por dar a destinação correta a todo o esgoto coletado.

O Rio Tocantis, cujo trecho que banha Palmas foi transformado em lago após a construção da Usine Hidrelétrica de Lajeado, é o principal curso d'água e serve até como atração turística.

A junta comercial da capital contabiliza 40 mil empresas registradas, mas o mercado está longe de saturar. Empresários que atuam na cidade relatam que têm mais facilidade para conseguir crédito em relação a outras regiões do país.

3. Interior paulista (SP)

Além da proximidade com a capital mais desenvolvida do país, cidades no interior de São Paulo, como São José dos Campos, Ribeirão Preto e Barueri concentram centros universitários de referência no país, especialmente em áreas como engenharia e tecnologia.

No ranking da Urban Systems sobre as melhores empresas do Brasil para fazer negócios, entre as 10 primeiras colocadas, quatro cidades pertencem ao estado de São Paulo: Barueri (1), São Caetano do Sul (4), São Paulo (8) e Campinas (9). Jundiaí e Santana de Parnaíba se destacam entre as 15 primeiras.

O desenvolvimento de ecossistemas empreendedores nessas cidades também favorece a região. Com a promessa de uma boa qualidade de vida e baixo custo para morar, esses municípios também contam com uma boa oferta de capital humano.

4. Lucena e Litoral Norte da Paraíba (PB)

A região que compreende o Litoral Norte da Paraíba é um território próspero para extração de minérios. Apenas em janeiro deste ano, 13 toneladas de ilmenita foram exportadas para Holanda e França -- o município de Mataraca é um dos três mairoes produtores do mineral no Brasil.

Mas há outros fatores que estão desenhando uma ótima oportunidade de negócios e investimentos na região -- além dos setores de turismo, hotelaria e gastronomia. O principal é o estaleiro de reparos que será construído no município de Lucena, próximo à capital João Pessoa.

A empresa norte-americana McQuilling Services já recebeu a licença prévia para o início das obras, previsto para o mês de junho. A construção deve movimentar R$ 2,8 bilhões e vai gerar aproximadamente 6 mil postos de trabalho diretos e indiretos.

É o primeiro estaleiro de reparos para navios de médio e grande porte do Atlântico Sul. Portanto, a movimentação comercial não vai se resumir ao período de obras. A longo prazo, o estaleiro irá aumentar a quantidade de navios que irão atracar no porto de Cabedelo, município vizinho.

Lucena teve o maior crescimento do PIB entre 2013 e 2014, segundo estimativa do Instituto de Desenvolvimento Municipal e Estadual (Ideme): 42,8%. Foi o município com maior crescimento no período. Por ficar situado na Região Metropolitana de João Pessoa -- a capital concentra 32,2% do que é produzido na Paraíba --, Lucena é alvo fácil para novos investimentos.

A expectativa é de R$ 5 bilhões em novos investimentos para a cidade até 2020. Além do estaleiro, a economia local deverá ser movimentada pelo crescimento no número de empreendimentos imobiliários e pelo turismo. A triplicação da BR 230 entre Cabedelo e João Pessoa deverá desafogar o trânsito e facilitar o acesso ao Litoral Norte.

A franquia Minds Idiomas deverá aproveitar a oportunidade e abrir, em breve, uma unidade no município de Lucena. "É um local estratégico. Há mais ou menos um ano estamos prospectando um franqueado que tenha interesse na região", confirma Leiza Oliveira, diretora da franquia, que já tem uma unidade em funcionamento em João Pessoa.

Fundada em 2007, a empresa está em franca expansão, com prospecção em vários mercados pelo Brasil. "Na região Norte ainda não temos unidade, por exemplo, no Acre e em Roraima. No Centro Oeste queremos expandir também para o Mato Grosso. Além de ter muitos municípios nos demais estados que temos unidades que tem potencial para abrigar uma escola", afirma Oliveira.

5. Semiárido nordestino

Antes sinônimo de seca e atraso econômico, a região do Semiárido Nordestino -- que abrange nove estados nas regiões Nordeste e Sudeste -- vem se mostrando um foco de desenvolvimento. A expansão do uso de cisternas e a Transposição do Rio São Francisco prometem acabar com o último entrave para a economia local.

Outra obra que irá integrar os estados da região é a Transnordestina -- que ficou paralisada por suspeitas de superfaturamento e pagamento de propina. No final de 2016, o Governo Federal liberou mais R$ 430 milhões para a conclusão de um trecho com 1728 km entre os estados do Piauí, Ceará e Pernambuco.

Quando a ferrovia for concluída, deverá aumentar a competitividade da produção agrícola e mineral da região, facilitando o escoamento para o Porto de Suape, em Pernambuco, e de Pecém, no Ceará. No entorno da ferrovia, empresas poderão se instalar, gerando emprego e renda em pequenos municípios.

O terceiro fator que poderá alavancar o crescimento da região de maneira definitiva é a criação da Zona Franca do Semiárido, objeto da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 019/2011. A ideia é conceder benefícios fiscais e de importação e exportação para empresas que se instalarem na região no modelo da Zona Franca de Manaus.

A ideia é que o município de Cajazeiras, na Paraíba, seja o centro da Zona Franca, que se estenderá por um raio de 100 kmm abrangendo 93 municípios. Cada estado da região terá uma cidade-polo de desenvolvimento que funcionará como uma extensão da Zona Franca.

Desde março de 2016 a proposta está pronta para ser votada no plenário da Câmara. De acordo com o gabinete do deputado Wilson Filho (PTB-PB), para que a PEC seja votada no plenário, é necessário que a Mesa Diretora insira na programação, salvo se houver um requerimento de urgência. No entanto, não há previsão para a votação.




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