A ascensão da "gig economy" - como este modelo vai remodelar a próxima geração de trabalho?

A categoria dos trabalhadores por conta própria (22,9 milhões de pessoas) cresceu 4,8% em relação ao trimestre abril-maio-junho

Daniel Tutida, Administradores.com,
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Não há dúvida de que a economia freelance ou “gig” está em ascensão. Uma pesquisa recente da Upwork, estima que freelancers compõem 34% da força de trabalho dos Estados Unidos e algumas projeções mostram que em 2040 a economia será “dificilmente reconhecível” do jeito que nos acostumamos nas últimas décadas.

No Brasil, com a alta taxa de desocupação do país, que no último semestre foi de 12,4%, segundo dados do IBGE, uma alternativa encontrada pelos trabalhadores brasileiros o autoemprego. A categoria dos trabalhadores por conta própria (22,9 milhões de pessoas) cresceu 4,8% em relação ao trimestre abril-maio-junho (mais 402 mil pessoas), e comparando ao mesmo período de 2016, houve alta de 4,8% (mais 1,1 milhão de pessoas).

Artes e design, computação e TI, construção e arquitetura, mídia e comunicação, transporte e logística são algumas das gigs de maior predominância no país. Empresas como EuNerd, GetNinjas, IguanaFix e WeDoLogos são alguns exemplos de empresas que incentivam estes profissionais.

No entanto, é difícil prever como essa mudança vai impactar a próxima geração de trabalho, em parte porque é complicado generalizar sobre quais os papéis que os freelancers vão empenhar em empresas de diferentes portes em todo o mundo. Ainda assim, a palavra de ordem da nova economia é fluidez, graças ao aumento do trabalho autônomo.

Embora existam muitas razões para o aumento do autoemprego em todo o mundo, uma coisa permaneceu fiel dos trabalhadores, independentemente da geografia: todos querem sobreviver e ter sucesso. As pessoas não querem simplesmente trabalhar, querem mais controle sobre como trabalham, para melhorar o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.

Especializados

Freelancers estão cada vez mais focados em áreas segmentadas, e seus clientes sabem que estão trabalhando com um especialista no assunto, ao invés de um grande “provedor de soluções”. Este profissional impulsiona o crescimento de redes de colaboração e de especializações.

Geralmente, são as empresas menores que investem nesses profissionais, já que muitas vezes as grandes têm contratos e parcerias sólidas. Ainda assim, as vantagens de relações de menor escala com freelancers especializados parecem estar se espalhando por toda a força global de trabalho.

As PMEs e Startups têm dificuldade de achar e reter funcionários de alta qualidade e, muitas vezes, os empreendedores não conseguem realizar todas as atividades sozinhos. Levando em conta que os freelancers são geralmente “de fácil gestão”, esta tendência traz um certo alívio ao permitir a escolha dos melhores talentos em uma grade crescente de profissionais autônomos.

As grandes corporações podem se aproveitar de enormes benefícios da economia freelancer também, desde que haja grandes mudanças na forma como gerem os seus fluxos de trabalho. Mas há grandes vantagens em contratar mão de obra especializada para os projetos mais inovadores e experimentais, sem que grandes empresas precisem romper relações importantes com os outros parceiros estratégicos.

Talentos

A realidade global para muitos empregadores  - não importa o seu tamanho  -  é que estão perdendo muito do controle que já tiveram sobre o mercado de trabalho. Com as gigs se tornando mais comuns, cada indivíduo está dirigindo grandes mudanças no mundo do trabalho.

Uma maneira das empresas continuarem sobrevivendo e prosperando no novo cenário econômico será por meio da substituição de certas hierarquias por conjuntos de talentos mais flexíveis, a chamada holocracia, um modelo mais disruptivo de administrar uma empresa, que se dá através da remoção do poder de uma estrutura hierárquica, substituída por um sistema de distribuição da autoridade.

Uma economia de gigs mais robusta torna isso possível para mais empresas em todo o mundo. É também a maneira a qual as pessoas realmente estão interessadas em trabalhar. Neste sentido, todos saem ganhando.

Daniel Tutida — CMO & Co-Founder da EuNerd, plataforma que gerencia e conecta profissionais de TI a empresas, com serviços de suporte OnDemand.