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A vida onde o PIB surpreende

Levantamento sobre a economia dos municípios gaúchos aponta Aratiba como o que mais prosperou em 10 anos. O estudo foi conduzido pelo Professor Luis Roque Klering, da Escola de Administração da UFRGS, colunista do portal www.administradores.com.br

TATIANA CRUZ, Zero Hora,
Levantamento sobre a economia dos municípios gaúchos aponta Aratiba como o que mais prosperou em 10 anos. O estudo foi conduzido pelo Professor Luis Roque Klering, da Escola de Administração da UFRGS, colunista do portal www.administradores.com.br.

Aratiba tem economia rural e pouco mais de 6,6 mil habitantes. Mas nas ruas do município do norte do Estado, a infra-estrutura tem ares urbanos. Luz e telefonia não faltam para os moradores. O asfalto estende-se das vias centrais aos bairros. Os alunos vão à escola de graça, estudam teatro e balé e ensaiam até frases em italiano.

A população pode explicar o segredo dessa qualidade de vida. Doze anos após terem parte das terras alagadas para a construção da Usina Hidrelétrica de Itá, os moradores experimentam no dia-a-dia o que números apontam na teoria: Produto Interno Bruto (PIB) é produção aquecida e geração de renda.

Histórias como a de Aratiba se repetem nos dados divulgados este mês pelo professor da Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Luis Roque Klering. O estudo, que se refere ao desempenho econômico das 496 cidades do Estado em 2003 (sem contar Pinto Bandeira, que perdeu ano passado o satus de município), mostra como variou o PIB de um ano para o outro e de 1993 até o ano passado (confira no quadro ao lado).

Neste último ranking, Aratiba teve a liderança com um percentual de crescimento de 1.524,04%. Em igual período, toda a riqueza gerada no Estado cresceu apenas 37%, passando de US$ 38,5 bilhões para US$ 53 bilhões. No grupo dos cinco que mais cresceram em PIB nesses 10 anos, destacam-se Imbé (confira no quadro abaixo), Gentil, Arroio do Sal e São José do Herval, todos com população inferior a 14 mil habitantes.

- Tornou-se uma tendência: municípios pequenos puxam o crescimento do Estado. Isso ocorre porque um investimento em uma base populacional pequena impacta mais do que em cidades grandes - explica Klering, referindo-se aos resultados da comparação dos PIBs de 2003 e 2002, com destaques também para pequenos, como Pinhal da Serra, São Miguel das Missões, Capão do Cipó, Gramado dos Loureiros e Mampituba.

O levantamento, um retrato provisório de 2003, pois leva em conta um balanço parcial da Secretaria Estadual da Fazenda sobre o valor de arrecadação a ser adicionado aos municípios (veja metodologia abaixo), revela também contradições, como a existente entre as metades Sul e Norte do Estado, exemplificada pelo município de Herval, que teve o pior desempenho em 10 anos. No caso de Garruchos, o que menos cresceu de 2002 a 2003, Klering faz uma ressalva:

- O rateio do valor adicionado pela conversora ao município ainda não foi definido. A partir dessa definição, a tendência é de a cidade subir no ranking definitivo, a ser divulgado em fevereiro.

Outro paradoxo é apontado pelo economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE) Adalberto Maia Neto.

- Nem sempre o que é gerado de renda em um município se traduz em aumento de renda para todos os moradores. Por exemplo: a renda gerada a partir do Pólo Petroquímico em Triunfo, que lidera o ranking de PIB per capita, fica em sua maior parte com pessoas que não vivem no município - pondera.

- O ideal é que a renda do morador não seja muito diferente do PIB per capita, mas, em situações especiais, isso pode ocorrer em cidades onde assalariados e acionistas vivem em outros municípios. Nesses casos, o grande benefício é o retorno de ICM para a prefeitura, que deveria reverter isso em serviço - complementa o economista e professor da UFRGS Pedro Bandeira.

Entenda o estudo

- O ranking dos PIBs dos municípios gaúchos do professor de Administração da UFRGS Luis Roque Klering é um levantamento realizado anualmente desde 1984 com o objetivo de antecipar a análise do desempenho econômico das cidades.
- O estudo, que conta com o apoio da Confederação Nacional de Municípios, é obtido a partir de um indicador chamado Valor Adicionado Fiscal (VAF), processado sob responsabilidade da Secretaria Estadual da Fazenda. Esses dados foram publicados no Diário Oficial do Estado, em outubro.
- O VAF não inclui todos os itens de produção, especialmente aluguéis, serviços profissionais, lucros financeiros, investimentos públicos e produção informal.

Os resultados

Os cinco maiores PIBs do Estado em 2003 (em US$):
1º Porto Alegre 6.985.957.511,17
2º Canoas 4.122.367.043,74
3º Caxias do Sul 3.137.037.874,13
4º Triunfo 1.859.006.404,90
5º Novo Hamburgo 1.273.845.619,72
Os cinco maiores PIBs per capita
do Estado em 2003 (em US$):
1º Triunfo 77.922,89
2º Aratiba 30.441,27
3º Muitos Capões 18.743,55
4º Boa Vista do Cadeado 16.282,75
5º Capão do Cipó 15.526,81





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