Como evitar a rotatividade no segmento de franquias de serviço?

O clima organizacional é um dos principais fatores a causar o turnover, segundo especialistas de recursos humanos

Fernando Azevedo Filho, Administradores.com,
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Chamado como turnover na área de recursos humanos, o termo destaca a baixa ou alta rotatividade de funcionários na dinâmica de uma empresa. De forma direta, a boa gestão do turnover caracteriza a não estagnação da empresa, assim como o desenvolvimento de fluxo de trabalho qualificado e positivo. Dependendo da organização, um percentual alto de rotatividade significa que há algo errado na administração da empresa. Mas afinal, como se evita a rotatividade de funcionários? 

Em franquias, em que o time de colaboradores tende a ser menor, essa preocupação é ainda mais evidente. O ramo de franquias tem tido um saldo positivo na geração de novos empregos. Segundo a ABF – (Associação Brasileira de Franchising), nesse 1° trimestre de 2018, houve o acréscimo de 0,9% de novos empregos, com projeção de 3% de crescimento até o fim do ano. 

Alguns segmentos que não carecem de uma força de trabalho com experiência têm se apresentado como porta de entrada para pessoas sem ampla qualificação. É o caso das franquias de lavanderias, que formam os profissionais com treinamentos internos. Inclusive, é na qualificação interna que está o segredo para evitar a alta rotatividade e manter o fluxo. Em lavanderias, é importante que todos os envolvidos conheçam todo o processo, a partir de treinamentos regulares. Dessa forma, se for necessária, a substituição de profissionais ocorrerá de maneira natural, sem impactos na operação.

O clima organizacional é um dos principais fatores a causar o turnover, segundo especialistas de recursos humanos. Trata-se de um indicador que interfere diretamente no desenvolvimento e nos resultados das atividades, já que implica na motivação do colaborador. E, para ter produtividade e se sentir valorizado, o funcionário precisa ser reconhecido.

E como demonstrar reconhecimento? Listo abaixo cinco passos: 

1- Treinamentos. Nunca pare de treinar a equipe e, se possível, faça coaching individual e coletivo. Isso demonstra valorização profissional e a importância da qualificação de cada um.

2- Metas. Dê exemplos, estabeleça metas individuais e reconheça o cumprimento de metas, seja com bonificações ou elogios públicos. Desafie-os, envolva-os no seu negócio e deixe muito claro o quanto o ownership (ou dor de dono) é importante dentro do seu sistema organizacional. 

3- Liderança. A presença da figura do líder também é importante, não o líder “carrasco”, mas o líder que os colaboradores se espelhem. Como um entusiasta do franchising, percebi que um dos maiores erros e motivos de resultados negativos de lojas é o franqueado achar que, por está comprando um negócio em que já exista um know how pré-estabelecido, ele pode acompanhar o negócio de longe ou delegá-lo a pessoas despreparadas.

4- Informação. O grande segredo é passar a informação adiante. Muitos empresários retêm ao máximo a informação com medo de que, no futuro, um ex-funcionário leve-a para a concorrência. E com isso passa uma vida desmotivando o time e estimulando resultados negativos para a empresa. Forme talentos e eles estarão sempre com você. Acredite nisso! 

5- Empatia. Elogie e reprima na dose certa. Nunca deixe de fazer nem um, nem outro e não procrastine. Aprendi uma coisa legal, que mantenho comigo como regra: sempre que for reprimir, orientar ou mostrar algo “negativo” para algum colaborador, o faça em particular e usando uma regra chamada “PNP” (positivo, negativo, positivo). Inicie o diálogo enaltecendo algo de positivo daquele colaborador, encaixe o enfoque desejado de orientação de melhoria (ponto negativo que precisa ser modificado) e finalize enaltecendo novamente outro ponto positivo. Desta maneira, provavelmente, o colaborador irá assimilar melhor onde ele deve melhorar, sem desanimar. Coloque-se no lugar dele e pense como você se sentiria ao ouvir o que você deseja dizer e da maneira que pretende fazê-lo. 

Lidar com o turnover será sempre um desafio a ser atingido pouco a pouco nas pequenas ou grandes organizações. O ponto inicial está em não deixar a estagnação atingir o empreendimento, pois o fluxo de entrada de funcionários pode significar, principalmente, o crescimento da empresa. A questão é quando o fluxo de saída envolve a baixa aceitação do lugar. Esse é o ponto preocupante e que deve ser evitado a qualquer custo. E, caso ocorra, é necessário tomar medidas de mudança de clima, criando elementos de motivação imediatamente. Só assim o negócio poderá prosperar.

Fernando Azevedo Filho — Franqueado da Quality Lavanderia há cinco anos, com experiência em gestão de grandes empresas.