Mais comentada

Conveniência: a revolução do tempo nas grandes cidades

A mudança da natureza da relação dos seres humanos com as grandes cidades está alterando as cadeias de valores, forçando companhias a repensar e redesenhar quase tudo que fazem

Paulo Hansted, Administradores.com,

Com a desenfreada ocupação dos grandes centros urbanos e a disseminação dos gagdgets em uma velocidade astronômica, a relação entre indivíduos e suas cidades está sendo redesenhada para uma dimensão de referências e valores nunca antes imaginada.

Um dos efeitos mais curiosos que podemos observar nas grandes cidades diz respeito a relação das pessoas com o tempo. As reponsabilidades se multiplicam e os afazeres do dia a dia se transformam em uma verdadeira maratona, que se renova a cada 24 horas, jogando toda a pressão sobre as costas de cada cidadão. O tempo parece tomar a forma de um vilão, daqueles que suga sua energia de forma impiedosa, dando a sensação de que todo o esforço, nunca será suficiente para cumprir com as obrigações. 

Em 1930, o ilustre economista John Maynard Keynes previu que a tecnologia avançaria tanto que por volta de 2028 as pessoas precisariam trabalhar somente três horas por dia para se sustentar, passando o tempo restante descansando e se divertindo. Embora estejamos há 14 anos do prazo previsto, os seres humanos não poderiam estar mais distantes desta realidade e a tecnologia é o culpado e também o catalizador. 

Esta sensação de impotência é reforçada pelo fato de que a internet mudou a referência de tempo. O click de um mouse, um toque na tela de um tablet ou celular e as soluções que buscamos se materializam de forma instantânea. Esta dinâmica quando levada do mundo virtual para o dia a dia, aumenta a ansiedade e sensação de frustração, quando no mundo real as coisas não acontecem na mesma velocidade do mundo digital.

Diante desta frenética realidade, a frase do físico Benjamim Franklin quem diz “Tempo é Dinheiro”, nunca fez tanto sentido.

Conveniência será um dos produtos mais desejados e valorizados nas próximas décadas. As pessoas estarão dispostas a pagar mais por qualquer rotina que possa traduzir ganho de tempo em suas vidas. Se observamos bem, nós já o fazemos. Quando se entra em um supermercado e compra-se um pacote de salada pronta, na realidade estamos comprando “tempo”. O valor que se paga, frente a quantidade referencial de produto contido na embalagem, é determinantemente pautado pela conveniência que se tem em não ter que selecionar e higienizar o produto, já que o mesmo está pronto para o consumo. Quanto tempo, que podemos aplicar em outras rotinas, ganhamos com isto? Desta forma, mais de 50% do valor pago, diz respeito a um elemento intangível da cadeia de valor, o tempo. 

Exemplos como este estarão presentes em tudo que nos cerca e serão cada vez mais valorizados. De roupas inteligentes que não amassam e eliminam odores a refrigeradores que identificam e enviam lista de produtos que precisam ser adquiridos para o seu celular.

A mudança da natureza da relação dos seres humanos com as grandes cidades está alterando as cadeias de valores, forçando companhias a repensar e redesenhar quase tudo que fazem. Quem fizer mais e melhor em menos tempo será o vencedor e acredite, a empresa que fizer seu cliente ganhar tempo, terá a sua preferência. 

Paulo Hansted, é um empreendedor com formação em Marketing na Universidade da Califórnia – Berkeley, nos Estados Unidos. Desenvolvedor do conceito de Cidades Móveis.