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Criatividade do brasileiro é um mito, avalia consultor

O mito de que o brasileiro é “criativo por natureza” é apenas isso, um mito. Em essência, o perfil autocrático da sociedade brasileira, que desestimula a iniciativa das pessoas, faz com que o brasileiro, de modo geral, tenha pouca criatividade.

Pollyanna Melo com assessoria, www.administradores.com.br,
O mito de que o brasileiro é “criativo por natureza” é apenas isso, um mito. Em essência, o perfil autocrático da sociedade brasileira, que desestimula a iniciativa das pessoas, faz com que o brasileiro, de modo geral, tenha pouca criatividade. A afirmação é do consultor Paulo Benetti, da empresa Inteligência Natural, que em agosto vai falar dos paradoxos da criatividade no CONARH 2009 - 35° Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas, promovido pela ABRH-Nacional.

“Frequentemente ouvimos que o brasileiro, famoso por seu “jeitinho”, é uma pessoa criativa. Por outro lado, quando promovo encontros em empresas, o que mais escuto das pessoas são queixas sobre o fato de que elas não se sentem pessoas criativas. O fato é que em praticamente todos os países pobres acredita-se que o povo “é criativo”, mas essa afirmação não se comprova na prática. Basta ver o número de patentes registradas no Brasil todos os anos, comparativamente a países como Estados Unidos ou muitos outros asiáticos”, assinala Benetti, que também integra a Associação Brasileira de Criatividade e Inovação.

Segundo Benetti, as relações sociais no Brasil são autocráticas, ou seja, espera-se que as ideias e as respostas venham sempre do chefe, do líder, do presidente. Isso inibe drasticamente a criatividade, pois não ser criativo passa a ser um fator de sobrevivência em um mundo que exige a acomodação.

“A criatividade está em todos nós, mas precisa ser estimulada. É importante que as empresas percebam que a inovação, a criatividade dependem não apenas das pessoas, mas também de um ambiente que as estimule, de processos que as viabilizem e da sua materialização em um resultado, um produto, uma ação”, explica.

Benetti assinala que em empresas extremamente hierarquizadas, onde as pessoas são instaladas a procederem segundo normas mais ou menos inflexíveis, é praticamente impossível esperar que aconteça o fenômeno da inovação, pois os empregados, de modo geral, vão evitar as situações de conflito. Ele ressalta que, dependendo da indústria, do segmento onde a empresa atua, cerca de metade das boas ideias que a empresa adota pode vir dos empregados:

“Mas há setores onde 90% das melhores ideias vêm dos clientes, o que revela a importância de programas que deem aos clientes oportunidades de se expressar e interagir com você”, recomenda.

Autor de um dos artigos do livro “Da criatividade à inovação”, a ser lançado pela Editora Papirus em Campinas (SP), no próximo dia 25/06, Benetti assinala que a capacidade de uma empresa de inovar sua posição no mercado será cada vez mais determinante do sucesso no futuro:

“Notamos que as empresas criativas, inovadoras, trazem isso em seu DNA. Elas não têm problema algum para inovar, sabem como fazê-lo. Sua maior dificuldade está somente em encontrar uma boa ideia”, explica.

DNA da inovação – Para Benetti, a empresa criativa e inovadora faz isso naturalmente e dispensa o apoio de comitês de inovação ou criação. Ele adverte que o primeiro passo para inovar de fato é atuar no sentido de criar um ambiente que favoreça a inovação e isso passa por profundas mudanças nas relações de trabalho:

“É por isso que o tema da inovação afeta, diretamente, as áreas de Recursos Humanos, pois cabe a elas criar o ambiente ideal, que vai favorecer a criatividade. Isso passa pela revisão de modelos de gestão de pessoas e é algo que demanda tempo, perseverança e, acima de tudo, vontade de ser inovador”, enfatiza.

Tags: brasileiro criatividade

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