Dos Recursos Humanos à gestão de pessoas

A evolução na área de recursos humanos (RH) é percebida até mesmo nos conceitos. Hoje, cada vez mais, as organizações acreditam e investem na gestão de pessoas, que vai além dos conhecidos e tradicionais processos burocráticos de RH.

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A evolução na área de recursos humanos (RH) é percebida até mesmo nos conceitos. Hoje, cada vez mais, as organizações acreditam e investem na gestão de pessoas, que vai além dos conhecidos e tradicionais processos burocráticos de RH. Mais do que selecionar, contratar, cuidar dos benefícios e folha de pagamentos, o novo RH tem uma visão ampla do negócio, participa do planejamento estratégico, atende às necessidades de quem contrata e de quem é contratado, e trabalha pelo crescimento, desenvolvimento e sustentabilidade da organização. Este processo de transformação vem acontecendo há, pelo menos, quinze anos e a Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) o acompanha de perto.

Uma das atuações estratégicas da área de gestão de pessoas é atrair e reter talentos. Vivemos um novo momento na relação do trabalho. As tecnologias estão mais acessíveis, o que nivela produtos e serviços de empresas concorrentes. O diferencial competitivo está no capital humano, na capacidade que a empresa tem de possuir profissionais competentes, flexibilidade cultural, com expertise (conhecimentos) e equilíbrio emocional. Com base nisso, as organizações buscam a valorização e reconhecimento desse capital. Nesse contexto, os gestores têm um papel prioritário tanto como facilitador, coach (treinador), consultor e como agente de mudanças desse processo.

Não basta apenas identificar talentos, é preciso atraí-los e escolher bem onde eles estarão nas organizações. Mas, para isso, é preciso fazer a lição de casa: transformar a empresa num ambiente propício para atrair e reter essas pessoas. Quem é melhor conquista, quem é excelente atrai e retém. Esta realidade faz com que o próprio mercado de trabalho force as organizações a criar mecanismos para manter seus melhores profissionais e elaborar estratégias para aumentar a produtividade de cada um.

Lidar com pessoas talentosas não é tarefa das mais fáceis, mas não é impossível. Um dos princípios dessa relação está em saber ouvi-los. Manter um canal de comunicação eficiente, de mão dupla, é um dos primeiros passos para isso. Saber que valorizam e que lhe dão atenção faz com que cada um desses profissionais pense duas vezes antes sair da empresa. E se a organização der o feedback (retroinformação) na medida certa, então a relação se estreita, pois é dessa maneira que ele irá ajustar ainda mais o seu caminho na empresa, ajudando a levá-la ao seu destino certo. A possibilidade de acertar o rumo enseja o que muitos talentos buscam nas organizações: o crescimento e o desenvolvimento da sua própria carreira.

Hoje, mais do que nunca, são os talentos que escolhem onde desejam trabalhar e a empresa que com eles mantém uma boa relação tem grandes chances de atraí-los. Mas não basta apenas oferecer treinamento técnico ou outros programas de capacitação como MBA (mestrado), pós-graduação. Os talentos estão além dessa média. Eles buscam desafios, pois entendem o significado da palavra “aprendizado”. Eles aprendem e ensinam a partir de novos projetos e de líderes que, de fato, fazem a diferença.

Outro aspecto que deve ser levado em conta em programas de atração e retenção de talentos é o equilíbrio entre trabalho e qualidade de vida. Talento não é workaholic (trabalhador compulsivo), muito pelo contrário. Produtividade não se mede em horas no escritório. Comprometimento não significa ficar preso a uma baia e a um computador por horas e horas.

Nesse sentido, vale ressaltar uma enorme diferença entre reter e deter. O que pode apenas ser um jogo de letras para alguns significa a diferença entre uma gestão de pessoas excelente de outra que apenas traduz o antigo departamento pessoal. Deter pressupõe violência, grades, liberdade cerceada. Assim como num casamento, a obsessão pelo outro não garante uma vida a dois duradoura. O coração não resiste à pressão e queremos os talentos com o coração voltado para a nossa organização.

Retenção de talentos e qualidade de vida são alguns dos temas que serão tratados no 32º Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas – Conarh 2006, que acontecerá entre os dias 22 e 25 de agosto, em São Paulo (SP), e tem como tema “Transformar para competir”. O Conarh é uma oportunidade para os gestores de pessoas aprimorarem seus conhecimentos, aumentar seu network (rede de relacionamentos) e conhecer a aplicabilidade de novas ferramentas. As discussões inovadoras e pragmáticas realizadas no evento, promovido pelo Sistema Nacional da ABRH, possibilitam entender a evolução dos recursos humanos no Brasil e conhecer as tendências da nossa área.


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