Empresa familiar com muitos herdeiros: como fica a sucessão?

Normalmente, estas competências são identificadas por meio de testes e ferramentas utilizadas pela área de recursos humanos e também com auxílio externo de empresas especializadas

Eduardo Valério, Administradores.com,
iStock

Este é um desafio muito comum nas empresas familiares brasileiras. É importante observarmos a distinção entre ser membro da família e ser gestor da empresa. Para que um familiar possa exercer uma função na gestão da empresa ele deve estar apto e habilitado para suprir as demandas do cargo. Estar apto e habilitado pode-se entender como "possuir as competências requeridas para o exercício da função".

Normalmente, estas competências são identificadas por meio de testes e ferramentas utilizadas pela área de recursos humanos e também com auxílio externo de empresas especializadas. Com o auxílio da governança corporativa, essa determinação torna-se bem mais fácil. Mas como isso é possível? Ao se implantar esse processo na empresa familiar todos ganham, tanto sócios como familiares, pois terão uma visão melhor dos papéis e responsabilidades, para consigo mesmos como proprietários e para com a empresa. A companhia também ganha, pois estará "governada" com base na meritocracia, e contará com processo técnico na gestão e na sucessão.

Para o mercado, a empresa demonstra preocupação com a qualidade da sua gestão (colocando os melhores profissionais nas funções-chave), clareza no processo sucessório e preocupação com o longo prazo. Um dos instrumentos de governança corporativa mais utilizados em sucessões com muitos herdeiros é o Acordo de família/sócios. Nele são alocados os principais aspectos referentes à forma de gerir a empresa, de como se dará o ingresso de familiares, como serão as transações entre sócios, como será a separação das questões pessoais das empresariais, dentre vários outros aspectos.

Geralmente, o surgimento de crises se dá quando não há conhecimento claro dos papéis e responsabilidades dos familiares e sócios com relação a empresa, algo que um processo de governança bem estruturado é capaz de evitar. No que tange à administração de crises, a mesma se dá de diferentes formas e com diferentes instrumentos da governança corporativa. Na gestão da empresa, por exemplo, os familiares estão "regidos" pelas normas de gestão da empresa , instrumento que orienta como a empresa funcionará , definindo alçadas, descrição de cargos, fóruns de tomada de decisão, entre outros. Além disso, há o próprio conselho, que exerce o papel de mediar conflitos também.

Há várias famílias que também implantam o Conselho de família com propósitos específicos para o desenvolvimento dos familiares que estão dentro e fora da gestão. Nos 15 anos em que estou à frente da GoNext Family Business, trabalhei diretamente com famílias empresárias de vários portes e complexidade. Houve projetos com mais de 60 herdeiros e projetos com apenas um e, até mesmo, sem herdeiros.

Cada projeto traz características próprias, mas os fundamentos implementados são basicamente os mesmos: separação e harmonização das questões familiares, societárias e gestão, com base em instrumentos de governança corporativa cuidadosamente desenhados e implementados. Sempre com muita disciplina e controlados com eficiência por órgãos da governança estruturados de forma profissional, a fim de atender todo o processo.

Eduardo Valério — Graduado em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), especialista em Estratégia e Marketing pela Kellogg School of Management, especialista em Governança Corporativa para Empresas Familiares pela The Wharton School, Pennsylvania e especialista em Gestão pelo Insead. Eduardo é diretor-presidente da GoNext, especializada em gestão de negócios e implantação da governança corporativa em empresas familiares.




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