Estabilidade gera empreendedorismo de melhor qualidade

Presidente do Sebrae, Luiz Barretto, afirma que Brasil caminha para conquistar indicadores semelhantes aos de países desenvolvidos

Beth Matias , Agência Sebrae,

A pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM 2010) divulgada nesta terça-feira (26), em São Paulo, revela que o Brasil está ocupando um novo patamar na qualidade do empreendedorismo. Os dados mostram que o país alcançou em 2010 a maior taxa de empreendedorismo entre países membros do G20, grupo que integra as maiores economias do mundo. "A pesquisa indica que o país caminha cada vez mais em direção aos indicadores de países desenvolvidos", disse o presidente do Sebrae, Luiz Barretto.


Segundo a pesquisa, o Brasil faz parte dos países impulsionados pela eficiência - que reúne as economias norteadas para a produção industrial em escala, onde também estão Chile e China. Nesta categoria, o Brasil está em quarto lugar.


As demais categorias são: países impulsionados pela inovação, que são os mais ricos, como Estados Unidos e Itália. Há também aqueles impulsionados pelos fatores, que dependem principalmente da economia de subsistência, onde a porcentagem de empreendedores por necessidade é muito maior.


Um dos indicadores do desenvolvimento do empreendedorismo no Brasil, segundo a pesquisa, é a relação empreendedorismo por oportunidade x por necessidade. Essa relação mostra que para cada negócio aberto por necessidade – motivado, por exemplo, pelo desemprego – pouco mais de dois foram iniciados porque os empresários enxergaram uma oportunidade no mercado.


A taxa média dos 60 países pesquisados é de 2,2. A proporção entre oportunidade e necessidade no Brasil é de 2,1. "Nos Estados Unidos, por exemplo, a relação é de 2,4, isso mostra a vitalidade da economia brasileira e que estamos muito próximos dos países com melhor qualidade empreendedora", avalia Barretto.


O presidente do Sebrae atribuiu os resultados principalmente à estabilidade da economia conquistada nos últimos 20 anos, às políticas voltadas para o desenvolvimento dos pequenos negócios, como a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, a uma maior formalização dos empreendimentos, com a legislação que instituiu a figura do Empreendedor Individual, entre outros fatores.


O estudo mostra também que a proporção dos que surgem por oportunidade cresce quanto maior a escolaridade e a renda média dos empresários. Entre os profissionais que estudaram mais de 11 anos ao longo da vida, por exemplo, a relação sobe para 4,6. No outro extremo, há mais empresários por necessidade entre os que estudaram menos de quatro anos - a razão é de um empresário por necessidade para cada um que empreende por oportunidade. Entre os que estudaram de cinco a 11 anos, a taxa é de 2,2.


Para ele, as políticas de incentivo à educação, principalmente relacionadas à empreendedora, deverão melhorar os índices nos próximos anos. "A pesquisa mostra exatamente isso, quanto maior a escolaridade maior a taxa de empreendedorismo por oportunidade".


Concorrência


O diretor-técnico do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos, acredita que os indicadores positivos mostram também que o caminho não é fácil. "O caminho do desenvolvimento embute um aumento da concorrência e a necessidade de conhecimento de mercado, que deve ser feito por meio de um plano de negócios".


A pesquisa Global Entrepreneurship Monitor, a GEM 2010, é o maior estudo independente sobre a atividade empreendedora, cobrindo 60 países consorciados. É coordenada pelo Global Entrepreneurship Research Association (GERA) – organização composta e dirigida pela London Business School, na Inglaterra, pelo Babson College, dos Estados Unidos, e pela Universidad Del Desarrollo, do Chile, e por representantes dos países participantes do estudo. 





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