Ética: uma questão de estratégia empresarial

“As empresas devem começar a ver compliance não como obrigação, mas como parte da estratégia de agregação de valor e de branding”

Publieditorial, FGV EAESP,
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Embora a fase mais aguda aparentemente tenha passado, o Brasil ainda está no meio de um furacão sem precedentes no que diz respeito à ética. A história do país já pode ser dividida entre antes e depois da Operação Lava-Jato, que colocou em xeque políticos e algumas das maiores organizações do país. Tudo isso em meio a um cenário internacional que já acenava por um maior compromisso com regulamentações anticorrupção e maior controle.

Os primeiros resultados disso são a Lei Anticorrupção, que já está em vigor, e a criação de frentes de compliance em várias empresas. Isso é bom. Mas convenhamos: isso basta?

Como ressalta o professor Marcos Fernandes, da FGV EAESP, é muito importante que tenhamos cuidado para que o compliance não vire apenas mais um modismo sem essência.

“No Brasil precisamos pensar para além do compliance. No entanto, erros se repetem mais uma vez. Empresas o estão implementando, por exigência legal e precaução, lembrando um pouco a moda da adoção de códigos de ética no passado, cuja função era a defesa interna de seus interesses”, ressalta o professor.

Uma questão de estratégia

A visão sobre compliance precisa levar em conta outros aspectos e não pode ser movida simplesmente pela necessidade de cumprir uma determinação jurídica, segundo o professor. “As empresas devem começar a ver compliance não como obrigação, mas como parte da estratégia de agregação de valor e de branding”, ressalta.

“A corporação e o capitalismo atualmente passam por uma ampliação dos limites de controle da governança corporativa ampliada. Ampliada pelo controle indireto de consumidores, pelo medo da perda de valor por parte de acionistas ou pela força da lei. E esta mudança veio para ficar. No Brasil pós Lava Jato, em particular, há jurisprudência estabelecida e o ambiente onde a estratégia empresarial se constrói é outro”, complementa.

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