Modelos sustentáveis transformam resíduos em oportunidades e lucros

Se antes o intuito era apenas transmitir a imagem de "politicamente correto", hoje, as questões de responsabilidade sócio/ambiental estão mostrando ser uma necessidade eminente

Fábio Bandeira de Mello, www.administradores.com.br,

Nas últimas décadas, houve uma ampla mobilização entre os países por práticas e soluções que pudessem melhorar a relação do ser humano com o meio ambiente. Desde reuniões, como as realizadas em Copenhague, e até assinaturas de termos, como o protocolo de Kioto, boa parte das nações começou a pensar sobre como será o futuro ambiental do nosso planeta.

No mundo empresarial, o tema também começou a fazer parte da agenda de muitas organizações. Diversos empreendimentos começaram a pensar sobre a sustentabilidade e associar sua imagem a ações voltadas para a responsabilidade socioambiental. Bancos, indústrias, estatais e companhias de diferentes segmentos aderiram a essa prática. Como resultado, o tema tornou-se papo presente entre empresas e consumidores, configurando-se num posicionamento de ética e transparência para quem o adota.

No entanto, se antes o intuito era apenas transmitir a imagem de "politicamente correto", hoje, as questões de responsabilidade sócio/ambiental estão mostrando ser uma necessidade eminente sendo, inclusive, muito lucrativas para quem as utiliza. Entre essas vertentes que estão crescendo se busca soluções alternativas energéticas menos poluentes e solucionar os problemas dos descartes de resíduos.




 
 Cada vez mais surgem iniciativas relacionadas às questões ambientais                                                                                   (Imagem: Thinkstock)


Sonho juvenil

Um empresário que arregaçou as mangas e acreditou na energia sustentável foi o administrador Alessandro Araújo Gomes. Antes mesmo de entrar na faculdade, ele alimentava o sonho de se envolver em um projeto sustentável. "A ideia de montar um negócio surgiu há muito tempo, numa aula de ecologia, em 1989. Depois de formado em Administração, com bastante vontade, comecei a procurar algo que juntasse preservação ambiental e geração de energia, e acabei encontrando o programa nacional do biodiesel, em 2006", conta.

Em 2008, Alessandro escreveu um plano de negócios e buscou financiamento junto a amigos e parentes para montar uma usina de produção de biodiesel. Com o projeto em mãos, a Prefeitura Municipal de Cruzeiro, em São Paulo, cedeu uma área no Distrito Industrial I, possibilitando, assim, o início das atividades. Lá é reciclado o óleo de fritura usado em restaurantes, cozinhas industriais, lanchonetes e condomínios para fabricação do combustível, bem como nas indústrias de sabão, ração e resinas.

Com uma produção mensal de 10 mil litros, o empresário sabe que ainda há um grande caminho a percorrer. "Para os próximos anos, esperamos um crescimento significativo na coleta de óleo de fritura usado e gorduras residuais em função do aumento da consciência da população. Estamos ajudando a plantar um futuro melhor. Sabemos que o trabalho é difícil e demorado, mas os frutos serão bons para todos", salienta.

Pensando no futuro

A proposta de dar o destino correto aos resíduos também movimenta grandes entidades. O Programa Embalagem Viva, idealizado pela Antilhas, uma das maiores empresas de fornecimento de embalagens para o varejo, é uma dessas ações. Ela foi criada para facilitar o descarte adequado e ainda ampliar o reaproveitamento de embalagens pós-consumo.


A iniciativa é considerada pioneira, pois é um passo à frente na Política Nacional de Resíduos Sólidos. A dinâmica consiste no recolhimento de resíduos sólidos (papel, vidro, plástico, entre outros) descartados pelas lojas das redes de franquias, que são clientes da Antilhas, no momento da entrega das embalagens.

“Além de recolher os materiais oriundos do consumo dos produtos também coleta os componentes descartados nas trocas de vitrines, que acontecem com grande frequência nas lojas das redes que atendemos”, explica Claudia Sia, gerente de marketing e planejamento da Antilhas. O programa já recolheu 35 mil quilos de embalagens das lojas credenciadas.

 
 (Imagem: Shutterstock)

A união faz a força

Tão importante quanto adotar a sustentabilidade é ensinar outras empresas a fazer uma gestão socialmente responsável. Esse é o papel que a Associação Franquia Sustentável (Afras), criada há seis anos, busca ao promover esse tipo de cultura.

Em setembro de 2011, a Associação promoveu o curso de Conhecimento Avançado em Sustentabilidade (CAS), que buscou aprofundar os conceitos chave de sustentabilidade.  “A Afras acredita que para incorporar a sustentabilidade aos negócios, é essencial que os principais atores entendam os conceitos básicos e os insiram no centro da estratégia da organização, de suas operações, dos produtos e serviços, da governança e no engajamento dos stakeholders”, afirma Claudio Tieghi, presidente da entidade.

Entre outros projetos, a Afras já elaborou os indicadores de responsabilidade social do setor de franquias e também o Programa Franchising de Baixo Carbono, iniciativa inédita que visa reduzir e compensar os gases causadores de efeito estufa (GEE) provenientes do consumo de energia, gás, combustíveis e descarte dos resíduos sólidos e orgânicos das redes de franquia.

Apesar de essas iniciativas ainda não serem adotadas por todas as organizações, as ações criam perspectivas de um mundo de possibilidades, em que a utilização dos recursos da natureza podem garantir não apenas um ecossistema no futuro, mas uma nova forma de fazer negócios. 




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