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O mercado de trabalho para as pessoas acima de 50 anos

A força de trabalho das pessoas com 50 anos ou mais pode estar comprometida na maioria dos países no mundo.

* Augusto Costa ,
A força de trabalho das pessoas com 50 anos ou mais pode estar comprometida na maioria dos países no mundo. Esta constatação foi feita por meio de uma pesquisa que a consultoria de recursos humanos Manpower realizou em 25 países com mais de 28 mil empregadores. Apesar da ameaça iminente de uma escassez generalizada de talentos, nosso estudo constatou que poucos empregadores recrutam ou retêm os trabalhadores com idade mais avançada.

Os resultados revelaram que somente 14% dos empregadores de todo o mundo implementam estratégias para contratar estes trabalhadores e apenas 21% colocam em prática os métodos para manter estas pessoas na força de trabalho da instituição.

A realidade nos mostra que muitos empregadores ainda não perceberam a necessidade de se levantar o percentual de sua força de trabalho que se aposentará nos próximos cinco ou dez anos. Esta ação é importante para medir o potencial intelectual e de produtividade que será perdido quando estas pessoas deixarem a empresa.

Uma exceção são os empregadores do Japão onde 83% deles se utilizam das estratégias para reter os trabalhadores com idade avançada. Isto se deve pela questão cultural em que os japoneses valorizam os idosos e por existir um respeito muito grande pela sabedoria e experiência deles, além da legislação e programas de incentivo governamentais voltados para trabalhadores acima dos 50 anos.

No sentido contrário, Itália e Espanha são os países em que as empresas menos se preocupam em manter as pessoas com mais de 50 anos, com apenas 6%.

No Brasil, há aproximadamente 25 milhões de pessoas trabalhando com carteira assinada (CLT), dos quais quase 25% possuem mais de 50 anos, segundo o IBGE. O Instituto divulgou ainda que a população brasileira acima dos 50 anos já ultrapassa os 30 milhões de pessoas, equivalente a 19% da população total.

Outro dado relevante que constatamos com a pesquisa é que em 19 dos 25 países onde os empregadores foram entrevistados, as estratégias de retenção eram mais comuns que as de recrutamento.

A saída para que haja mais espaço para os trabalhadores com idade acima dos 50 anos seria que as empresas desenvolvessem um programa especial para os executivos que estão perto de se aposentar, com horários mais flexíveis e novas funções, prestando consultoria e treinando os mais jovens, por exemplo. Mesmo que passe a ganhar um pouco menos, a pessoa estará altamente motivada para o trabalho, isso porque perceberá que está sendo aproveitada e disseminando seus conhecimentos.

A maioria dos empregadores, entretanto, ainda tende a considerar a aposentadoria como uma oportunidade de reduzir custos. Isso demonstra pouca visão e põe até mesmo a empresa em risco.

É necessário também que as companhias desenvolvam, antes que seus executivos saiam do mercado, planos de transição e de transferência de conhecimentos. Isso facilitará as mudanças e garantirá a retenção de todo o capital intelectual possível na empresa.

A existência de legislações e programas de Governo que fomentem a participação dos trabalhadores maiores de 50 anos na força de trabalho também podem ser importantes para alteramos este quadro negativo.

A não retenção e recrutamento de pessoas com idade mais avançada podem ocasionar impactos consideráveis nas empresas de todo o mundo.

Augusto Costa é diretor-geral da Manpower no Brasil – empresa de recursos humanos com atuação em 72 países

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Tags: de mercado trabalho trabalho_forca